Justiça concede habeas corpus à mãe de Oruam e impõe medidas cautelares

Márcia Nepomuceno é investigada por suposta lavagem de dinheiro para o Comando Vermelho

A 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) concedeu, nesta quarta-feira (17), habeas corpus para Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, esposa de Marcinho VP e mãe do trapper Oruam. Ela é investigada por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Comando Vermelho (CV).

Na decisão, os desembargadores entenderam que houve ilegalidade na decretação da prisão preventiva. O relator do pedido, desembargador Marcius da Costa Ferreira, destacou que o Ministério Público não solicitou a prisão de Márcia ao apresentar a denúncia, determinando medidas cautelares alternativas.

Com a decisão, Márcia deverá cumprir uma série de restrições, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica, comparecimento periódico à Justiça e recolhimento domiciliar à noite. Ela também está proibida de frequentar comunidades dominadas pelo CV e visitar prisões onde Marcinho VP esteja custodiado, além de não poder deixar o estado sem autorização judicial.

Oruam procurado

O colegiado ainda determinou a suspensão de atividades econômicas e financeiras eventualmente exercidas por Márcia em empresas citadas na apuração. Os demais mandados de prisão permanecem válidos, incluindo o de Oruam, considerado foragido.

Segundo o Ministério Público, Márcia teria desempenhado papel relevante na administração financeira do núcleo familiar de Marcinho VP, um dos principais líderes do Comando Vermelho. A denúncia afirma que ela participou da compra de imóveis, administração de aluguéis no Complexo da Penha e da movimentação de dinheiro por meio de terceiros.

Entre os bens está um imóvel conhecido como “Casa de Vidro”, comprado por cerca de R$ 1,3 milhão e que, de acordo com a acusação, teria sido registrado em nome de outras pessoas para dificultar o rastreamento patrimonial.

Ainda nesta quarta-feira, a Justiça realizou mais uma audiência do processo em que o trapper Oruam responde por tentativa de homicídio contra policiais civis. Durante a sessão, uma testemunha de defesa afirmou que os agentes não teriam se identificado durante a operação realizada na residência do artista, no Joá, em 2025. Ao final da audiência, os réus optaram por permanecer em silêncio.

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