Vinte e dois agentes do Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase) foram afastados de suas funções pela Justiça. Todos foram denunciados pelo Ministério Público (MPRJ) por participação na incitação de uma rebelião ocorrida em 2019 no Centro de Socioeducação (CENSE) da Ilha do Governador.
Entre os denunciados está Thiago Guedes Suzano, que foi preso nesta quarta-feira (27), em Nilópolis, na Baixada Fluminense. Ele atua no Degase há doze anos e, segundo as investigações, teria liderado e incentivado os adolescentes internados a se rebelarem durante uma greve da categoria.
Na decisão, o juiz Leonardo Rodrigues da Silva Picanço ressaltou que o afastamento dos servidores é medida “imprescindível para evitar a reiteração delitiva ou ocorrência de situações ainda mais graves”.
A denúncia do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ) aponta que a rebelião de 5 de novembro de 2019 foi orquestrada pelos próprios agentes, como forma de pressionar o poder público e chamar a atenção da mídia para as reivindicações da categoria, que à época cobrava benefícios como o Regime Adicional de Serviço (RAS) e a liberação do porte de armas.
O presidente do sindicato dos agentes, João Luiz Pereira Rodrigues, também está entre os denunciados. Segundo o MP, os internos foram manipulados como “massa de manobra”, submetidos a intenso sofrimento físico e psicológico, além de danos materiais às instalações públicas.
As investigações revelam ainda trocas de mensagens em um grupo de WhatsApp chamado “Dias de Luta”, nas quais os denunciados articulavam o motim. Em uma delas, um dos agentes afirma: “Importante a gente começar a divulgar o caos”. Outra mensagem reforça: “Maior caos, maior êxito”.
Depoimentos de internos relatam que Thiago Suzano autorizou os adolescentes a “balangar” — bater e chutar as chapas de metal que serviam como portas dos alojamentos —, garantindo que não haveria intervenção da equipe de plantão. Um dos jovens contou que foi ameaçado pelo agente, que teria prometido agredi-los com um pedaço de madeira caso não participassem da rebelião.
De acordo com o MP, os denunciados responderão por associação criminosa, tortura, incitação à violência, facilitação de fuga de internos e dano qualificado ao patrimônio público. Um dos réus também foi acusado de falsidade ideológica, por inserir informações falsas no livro oficial de registros da unidade.
O episódio foi marcado por atos violentos, destruição de patrimônio público e risco à integridade física de adolescentes e servidores. Para o GAECO, a articulação dos agentes representou um ataque à segurança institucional e ao próprio sistema socioeducativo.






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