O III Tribunal do Júri da Capital, no Rio de Janeiro, realiza nesta quinta-feira (5) o julgamento de três acusados de participação na morte do advogado Rodrigo Marinho Crespo, assassinado a tiros em fevereiro de 2024 no Centro da cidade.
Crespo, de 42 anos, foi baleado na Avenida Marechal Câmara, em frente ao escritório de advocacia do qual era sócio. O crime ocorreu no dia 26 de fevereiro de 2024 e, desde então, é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital.
Serão julgados Leandro Machado da Silva, conhecido como “Cara de Pedra”, Cezar Daniel Mondego de Souza, apelidado de “Russo”, e Eduardo Sobreira de Moraes, apontados pelas investigações como participantes da execução do advogado.
Réus respondem por homicídio qualificado
Segundo a denúncia do Ministério Público, Leandro Machado da Silva — policial militar — teria sido responsável por providenciar os veículos usados no crime. Ele se apresentou voluntariamente à Delegacia de Homicídios poucos dias após o assassinato.
Cezar Daniel Mondego de Souza é apontado como responsável por monitorar os passos da vítima antes do ataque. Já Eduardo Sobreira de Moraes teria dirigido o carro utilizado na vigilância de Crespo enquanto acompanhava a rotina do advogado.
Os três se tornaram réus em abril de 2024, quando a Justiça aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público. Na mesma decisão, Leandro foi afastado de suas funções na Polícia Militar.
Investigação aponta planejamento do crime
As investigações indicam que a vítima vinha sendo monitorada desde outubro de 2023. De acordo com a polícia, anotações com as placas dos veículos utilizados por Crespo foram encontradas em celulares de suspeitos.
Esses registros teriam sido feitos no dia 5 de outubro daquele ano, quando o advogado participou de uma festa em Ipanema. Para os investigadores, o monitoramento demonstraria planejamento prévio da execução.
O autor dos disparos que matou Crespo, atingido pelas costas, ainda não foi identificado. O Ministério Público afirma que o crime foi cometido em emboscada, com o uso de uma pistola calibre 9 milímetros, arma considerada de uso restrito.
Motivação estaria ligada a apostas online
De acordo com a acusação, o assassinato teria relação com disputas envolvendo atividades ligadas a apostas online. A Promotoria sustenta que o homicídio foi praticado para garantir interesses de outros crimes ligados a uma suposta organização criminosa.
Por esse motivo, os réus respondem por homicídio qualificado. Entre as circunstâncias agravantes apontadas estão motivo torpe, dificuldade de defesa da vítima, uso de arma de fogo de uso restrito e execução para assegurar vantagem em outras práticas criminosas.
Caso condenados, as qualificadoras podem aumentar significativamente as penas previstas na legislação penal brasileira.
Como funciona o julgamento no Tribunal do Júri
Crimes dolosos contra a vida, como homicídio, são julgados pelo Tribunal do Júri. Nesse modelo, sete jurados — cidadãos comuns — são responsáveis por decidir se os acusados serão condenados ou absolvidos.
O julgamento começa com a formação do Conselho de Sentença. Pelo menos 15 jurados devem estar presentes, e sete deles são sorteados para compor o grupo que decidirá o caso.
Durante a sessão, serão ouvidas testemunhas da acusação e da defesa, além do interrogatório dos réus. Em seguida, começam os debates entre Ministério Público e advogados de defesa.
Debates e votação dos jurados
A acusação terá uma hora e meia para apresentar seus argumentos. A defesa terá o mesmo tempo para responder às acusações. Depois disso, há ainda uma etapa de réplica e tréplica, em que cada lado pode voltar a se manifestar.
Encerrados os debates, os jurados se reúnem em sala secreta para votar. A decisão ocorre por maioria simples e define se os acusados serão condenados ou absolvidos.
Caso seja reconhecida a autoria do crime, os jurados também deverão avaliar as qualificadoras e eventuais circunstâncias que possam reduzir a pena.
Quarto suspeito não será julgado nesta etapa
As investigações também apontaram a participação de uma quarta pessoa no monitoramento da vítima: Ryan Patrick Barboza de Oliveira. Segundo a polícia, ele teria acompanhado os deslocamentos de Crespo até a manhã do dia do assassinato.
De acordo com a Delegacia de Homicídios da Capital, Ryan permaneceu no Centro do Rio até por volta das 11h, quando foi substituído por Cezar Daniel Mondego de Souza e Eduardo Sobreira de Moraes na vigilância do advogado.
Ryan foi preso em outra investigação e também é apontado como participante do assassinato do empresário Antônio Gaspaziane Mesquita Chaves, dono do bar Parada Obrigatória. Por isso, ele não será julgado nesta quinta-feira.
Bicheiro investigado também ficou fora do julgamento
Outro nome citado nas investigações é o de Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, apontado como bicheiro. Ele foi alvo de mandados de busca e apreensão relacionados ao caso em abril de 2024.
Adilsinho foi preso em fevereiro deste ano em outras investigações e também não integra o julgamento atual.
Por meio de nota, a defesa afirmou que ele nega qualquer envolvimento no assassinato do advogado e que confia na Justiça para comprovar sua inocência.
Além do caso Crespo, alguns dos investigados também foram indiciados pela execução do empresário Thiago Trigueiro Gomes, morto em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. A polícia apura se os crimes podem ter relação com disputas envolvendo organizações criminosas na região.





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