Júri de Henry: Jairinho descreve madrugada do crime pela primeira vez e nega espancamento

Jairinho contestou a tese da acusação e questionou como sinais de violência não teriam sido percebidos por médicos e familiares

O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, apresentou nesta terça-feira sua versão sobre as horas que antecederam a morte de Henry Borel durante interrogatório no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. Em um dos momentos mais aguardados do julgamento, ele descreveu a rotina da criança naquela noite, contestou a acusação de espancamento e afirmou que não houve qualquer agressão dentro do apartamento onde estava com Henry e Monique Medeiros.

Ao responder às perguntas de seus advogados, Jairinho relatou que Henry voltou para casa após passar o fim de semana com o pai, tomou banho, recusou-se a jantar e foi colocado para dormir. Segundo ele, o menino acordou três vezes durante a madrugada procurando pela mãe. Em todas as ocasiões, afirmou, Monique teria levado o filho de volta ao quarto do casal. Na terceira vez, por volta de 1h da manhã, ele decidiu dormir no quarto de hóspedes.

O ex-vereador também questionou a tese apresentada pela acusação de que a criança apresentava sinais evidentes de violência antes de chegar ao hospital. Diante dos jurados, argumentou que médicos, familiares e outras pessoas que tiveram contato com Henry teriam percebido imediatamente qualquer indício de espancamento.

Durante o depoimento, Jairinho rebateu ainda pontos da investigação policial. Ele negou ter informado ao delegado responsável pelo caso que Henry havia caído da cama e sustentou que fatos ocorridos durante o atendimento médico não foram devidamente considerados ao longo do processo.

Em um momento de emoção, o réu mencionou Leniel Borel, pai da criança, e afirmou acreditar que ele sabe que não foi o responsável pela morte do menino. Jairinho também voltou a declarar que foi acusado injustamente e disse que sua vida e a de sua família foram destruídas pelas acusações relacionadas ao caso.

O interrogatório integra a fase final do julgamento de Jairinho e Monique Medeiros, acusados pela morte de Henry Borel. Ao longo das últimas semanas, os jurados ouviram depoimentos de familiares, médicos, peritos, especialistas e testemunhas que apresentaram versões divergentes sobre os acontecimentos da noite em que a criança morreu.

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