Juiz ordena soltura de menino de 5 anos; prisão causou indignação nos EUA

Magistrado considera inconstitucional a retenção de criança equatoriana e do pai pelo serviço de imigração e critica política migratória do governo Trump

Um juiz federal dos Estados Unidos determinou neste sábado (31) a libertação de Liam Conejo Ramos, um menino de cinco anos que estava detido por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE), junto com o pai, Adrian Conejo Arias. A decisão também ordena a soltura do adulto e considera inconstitucional a tentativa de remoção da família equatoriana do país. .

A detenção da criança ganhou repercussão internacional após a divulgação de imagens de Liam usando uma mochila do Homem-Aranha e um chapéu azul grande durante a abordagem, no início do mês. O caso provocou indignação e reacendeu críticas às táticas adotadas pela administração do presidente Donald Trump em operações migratórias realizadas em Minnesota e em outras regiões do país.

Decisão judicial e críticas ao governo

Pai e filho estavam detidos havia 12 dias em um centro do ICE. Ao proferir a decisão, o juiz Fred Biery, do Tribunal Federal do Oeste do Texas, determinou que ambos sejam libertados até terça-feira (2) e voltou a proibir qualquer tentativa de deportação da família.

Nomeado para o cargo pelo ex-presidente Bill Clinton, Biery afirmou que houve uso perverso de “poder desenfreado” e “imposição de crueldade” por parte das autoridades migratórias. O magistrado criticou o governo Trump por ignorar “um documento histórico americano chamado Declaração de Independência” e defendeu uma política de imigração “mais ordenada e humana do que a atualmente em vigor”.

Operação em Minneapolis e acusações

A prisão ocorreu durante uma operação de imigração em Minneapolis. Segundo a superintendente do distrito escolar de Columbia Heights, onde Liam estuda, Adrian havia acabado de buscar o filho na pré-escola quando agentes do ICE realizaram a abordagem.

Após deter o pai, os agentes teriam pedido que a criança batesse à porta da residência para verificar se havia outras pessoas no local. A conduta levou a acusações de que o menino teria sido usado como isca para identificar outros imigrantes, o que intensificou a repercussão negativa do caso.

Versões contraditórias e defesa

As autoridades americanas afirmam que a operação tinha como objetivo prender Adrian Conejo Arias, que estaria em situação migratória irregular nos Estados Unidos. O ICE sustenta ainda que ele tentou fugir, abandonando o filho de cinco anos.

A versão oficial é contestada pela defesa. Em entrevista após as detenções, o advogado Marc Prokosch afirmou que não procede a alegação de irregularidade migratória da família e negou que Arias tenha tentado escapar, classificando o relato do governo como distorcido.

Detenções de menores e contexto mais amplo

O episódio ocorre em meio ao endurecimento das políticas migratórias nos Estados Unidos. Apuração da Folha de S.Paulo, com base em dados do próprio governo Trump, mostra que ao menos 157 menores de idade brasileiros foram apreendidos por agentes de imigração entre janeiro e outubro de 2025.

Desse total, 142 foram levados a centros de detenção do ICE. Entre os detidos estão bebês nascidos em 2024 e adolescentes de 16 e 17 anos. Segundo os dados, 114 dessas crianças deixaram os EUA no período analisado.

Indícios de detenções familiares

Os documentos oficiais não informam se os menores estavam acompanhados de adultos no momento das abordagens. No entanto, em pelo menos 40 casos é possível inferir que se tratavam de detenções familiares.

Especialistas e entidades de direitos humanos afirmam que casos como o de Liam evidenciam os limites legais e humanitários das políticas migratórias em vigor e reforçam o debate sobre o tratamento dado a crianças em operações de imigração nos Estados Unidos.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading