Jovem que desapareceu por 5 dias no Pico do Paraná é encontrado vivo

Roberto Farias Tomaz caminhou mais de 20 quilômetros sozinho e chegou a uma fazenda em Antonina

O jovem Roberto Farias Tomaz, de 19 anos, foi encontrado vivo nesta segunda-feira (5) após passar cinco dias desaparecido no Pico Paraná, ponto mais alto da Região Sul do Brasil. A informação foi confirmada pelo Corpo de Bombeiros, que atuava nas buscas desde o registro do desaparecimento.

Em um vídeo divulgado pela família nas redes sociais, Roberto informou que havia chegado a uma fazenda na região. No registro, ele relatou ferimentos e dificuldades, mas afirmou estar bem.

“Estou cheio de roxo no corpo, várias escoriações, não consigo enxergar porque perdi meu óculos, mas estou bem”, disse o jovem.

Segundo os bombeiros, Roberto percorreu mais de 20 quilômetros a pé até alcançar a localidade de Cacatu, no município de Antonina, após se perder durante a descida da montanha.

Buscas mobilizaram bombeiros e voluntários

Roberto desapareceu no dia 1º de janeiro, enquanto descia a trilha do Pico Paraná. Desde então, equipes do Corpo de Bombeiros e voluntários se mobilizaram em uma operação de busca em uma área de mata fechada, com terrenos íngremes e clima instável.

De acordo com o tenente Ícaro Gabriel, as equipes se deslocaram até a fazenda onde o jovem foi localizado. Após o resgate, ele será encaminhado ao hospital de Antonina para a realização de exames médicos e avaliação do seu estado de saúde.

Trilha começou no réveillon

Segundo informações da Polícia Civil do Paraná, Roberto iniciou a trilha no dia 31 de dezembro, acompanhado de uma amiga. Durante a subida, ele teria passado mal, mas mesmo assim os dois conseguiram chegar ao cume por volta das 4h da madrugada do dia 1º de janeiro.

Após um período de descanso no topo da montanha, onde encontraram outros grupos de montanhistas, a dupla iniciou a descida por volta das 6h30, acompanhada por um dos grupos. Em um ponto anterior ao acampamento base, Roberto acabou ficando para trás e não foi mais visto.

Momentos depois, um segundo grupo também iniciou a descida e passou pelo local onde o jovem havia sido visto pela última vez, mas não conseguiu localizá-lo.

Relato de montanhista que acionou o resgate

O analista jurídico Fabio Sieg Martins fazia parte de um dos grupos que encontrou Roberto e a amiga durante a trilha. Ao chegar ao acampamento na base da montanha e perceber que o jovem não havia retornado, ele decidiu acionar o resgate.

“Quando a gente chegou no acampamento A1, venceu o ‘grampos’ e tudo mais, tava a menina na barraca. Aí eu pergunto para ela: ‘Cadê o Roberto?’ e ela não sabia do Roberto. Aí bateu o desespero, eu falei ‘o guri deve ter se desorientado lá no [acampamento] A2, tá perdido lá em cima. […] Aí nós voltamos. No primeiro ponto que dá sinal de celular, eu faço uma ligação para o Corpo de Bombeiros e situo o bombeiro da posição e das referências que nós tínhamos ali”, contou Martins.

Investigação policial descarta crime

No sábado (3), a Polícia Civil iniciou a apuração formal do desaparecimento após a família de Roberto, moradora de Pinhais, registrar um boletim de ocorrência.

O delegado Glaison Lima Rodrigues colheu depoimentos da jovem que acompanhava Roberto, de outros montanhistas que passaram pelo local e de familiares do rapaz. Até o momento, a polícia afirma não haver qualquer indício de crime.

A princípio, o caso é tratado apenas como desaparecimento, e nenhuma das pessoas ouvidas é considerada investigada.

“Não há elementos iniciais de uma infração penal, mas caso fique caracterizado o mínimo indício dessa ocorrência de infração penal, haverá uma conversão desse boletim de ocorrência e análise em um inquérito policial ou um termo circunstanciado para que seja encaminhado ao poder judiciário”, afirmou o delegado.

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