“Por uma despedida digna: ajude Carolina a alcançar paz”. Este é o título da vaquinha online de Carolina Arruda Leite, uma jovem mineira de 27 anos, que busca arrecadar R$ 150 mil para realizar eutanásia na instituição Dignitas, na Suíça. Desde sua criação na segunda-feira (1), a campanha já reuniu R$ 83 mil com o apoio de 1.946 doadores.
Carolina sofre há 11 anos de neuralgia do trigêmeo, uma condição rara frequentemente descrita como causadora da “pior dor do mundo”. Este ano, ela começou a compartilhar sua rotina nas redes sociais. Em vídeos no TikTok, Carolina registra momentos como idas ao hospital, crises de dor, aplicações de morfina e canabidiol e, em abril, iniciou discussões sobre o suicídio assistido.
Em uma das publicações, Carolina revela que já tentou suicídio duas vezes. “Quando estou em uma crise de dor muito forte, eu perco completamente a noção do que estou fazendo, só quero que aquilo acabe”, desabafa.
Estudante de medicina veterinária, Carolina afirma que a eutanásia foi uma decisão tomada para acabar com seu sofrimento de forma digna, após “esgotar todas as opções médicas disponíveis e enfrentar uma dor insuportável diariamente”.
“Antes da neuralgia do trigêmeo dominar minha vida, eu era uma pessoa cheia de energia e com muitos sonhos. Sempre adorei ler, estudar e fazer atividade física. Eu queria seguir uma carreira que me permitisse ajudar os animais, algo pelo qual sou muito apaixonada. No entanto, a dor constante tirou de mim a capacidade de fazer essas coisas, transformando meus dias em uma luta contínua”, escreve Carolina na plataforma Vakinha.
“Esta é uma decisão profundamente pessoal e dolorosa, mas acredito ser a melhor solução para acabar com o sofrimento interminável que enfrento diariamente. Sua contribuição [na vaquinha], por menor que seja, fará uma diferença imensa na minha vida, permitindo que eu tenha uma despedida tranquila e digna, livre da dor que me atormenta”, conclui a jovem.
Segundo Carolina, viver com a dor crônica severa e incessante impactou todos os aspectos da sua vida, incluindo a saúde mental. “A dor é tão intensa que torna impossível realizar tarefas diárias simples, manter relacionamentos ou mesmo encontrar prazer em atividades que antes eram parte da minha rotina. Cada dia é uma batalha constante e exaustiva”, relata.
Onde buscar ajuda
A recomendação dos psiquiatras é que a pessoa que pensa em suicídio busque um serviço médico disponível
CVV (Centro de Valorização da Vida)
Voluntários atendem ligações gratuitas 24h por dia no número 188, por chat, via e-mail ou diretamente em um posto de atendimento físico.
NPV (Núcleo de Prevenção à Violência)
Os NPVs são constituídos por ao menos quatro profissionais dentro das UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e de outros equipamentos da rede municipal. Para acolher e resguardar as vítimas, os núcleos atuam em parceria com o Ministério Público, a Defensoria Pública, o Conselho Tutelar, a Secretaria Municipal de Educação e a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social.
Pronto-Socorro Psiquiátrico
Ideação suicida é emergência médica. Caso pense em tirar a própria vida, procure um hospital psiquiátrico e verifique se ele tem pronto-socorro. Na cidade de São Paulo, há opções como o Pronto Socorro Municipal Prof. João Catarin Mezomo, o Caism (Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental) e o Hospital Municipal Dr. Arthur Ribeiro de Saboya.
Mapa da Saúde Mental
O site, do Instituto Vita Alere, mapeia serviços públicos de saúde mental disponíveis em todo território nacional, além de serviços de acolhimento e atendimento gratuitos, além de ações voluntárias realizadas por ONGs e instituições filantrópicas, entre outros. Também oferece cartilhas com orientações em saúde mental.
Com informações da Folha de S. Paulo.





