O sistema de bilhetagem Jaé, obrigatório para embarque nos modais do município desde o início do mês, voltou a ser criticado em debate público na Câmara do Rio nesta quinta-feira (28). O encontro, promovido pela Frente Parlamentar de combate e fiscalização à precarização do transporte público, buscou dar voz a quem enfrenta os problemas na prática. “Só é possível entender as problemáticas ouvindo quem enfrenta no dia a dia”, afirmou o vereador Rick Azevedo (Psol), na presidência da mesa.
O edil reclamou da ausência da Secretaria de Transportes, convidada para ouvir e responder às demandas dos usuários do sistema. “A secretária Maína Celidônio não pôde comparecer para falar com a sociedade por motivo de força maior”, ironizou. A pasta não enviou representantes. “Por aqui a gente vê que houve um descaso”, completou. Segundo Rick, a lista de reclamações em seu gabinete passa por dificuldades no login no aplicativo do cartão, problemas no caso de irmãos gémeos, longos prazos para produção e envio — alguns casos superior a um mês — e problemas na recarga, com valores não creditados
O parlamentar também criticou a postura de membros da base governista em debates anteriores, que classificaram as falhas como problemas pontuais — o que inclusive chegou a gerar bate-boca no plenário, entre opositores e membros mais ferrenhos da base de Paes. Acontece que pouco após o retorno do recesso parlamentar, Pedro Duarte (Novo) levou ao plenário um relatório feito por seu mandato sobre problemas enfrentados pelos usuários dos transportes municipais nos primeiros dias de operação do Jaé, o que não deixou a base muito contente com o moço.
Usuários reclamam de problemas com o cartão
Convidada para falar sobre os problemas com o Jaé, a estudante de Pedagogia da Uerj e moradora de Vargem Grande Julia Couto ficou famosa nas redes sociais por suas reclamações sobre os percalços enfrentados para obter o cartão, sendo conhecida como a “rainha da reclamação do Jaé”. A repercussão foi tamanha que a jovem recebeu o cartão das mãos do próprio prefeito Eduardo Paes (PSD).
“Tive dificuldade no cadastramento pelo aplicativo, site e presencialmente. Demorou muito”, disse ela. “Que bom que pude ser ouvida, mas muitos ainda não são. Hoje sigo como uma espécie de mediadora entre a população e os órgãos públicos”, refletiu, atribuindo a solução de seu problema à pressão das redes sociais.
Representando os rodoviários, Pedro Imperiano, com mais de 50 anos de profissão, criticou a falta de diálogo na implementação do sistema. “Não sou contra a modernidade, tecnologia está aí para nos ajudar. Mas, na maneira de ver do sindicato, tem faltado discutir se a implantação do Jaé conjuntamente com os atores envolvidos. Uma coisa é estar dentro do ar condicionado teorizando medidas e esquecer de olhar o povão, a nossa realidade do dia a dia. As coisas vieram de cima para baixo”.
Prefeitura pontuou números positivos no início da operação
A Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) divulgou, após a primeira semana de operação exclusiva do Jaé, iniciada no dia 2, um balanço que classificou o sistema como sucesso. Segundo a pasta, a média diária de embarques no sistema de transporte municipal saltou de 2,5 milhões para 3 milhões de viagens.
O crescimento foi impulsionado inclusive pelas vans, que viram o número de viagens diárias aumentar mais de 350% (de 62,4 mil para 286,7 mil). Outros modais também registraram alta, como o VLT (52,6%) e o BRT, que chegou a dobrar o número de passageiros em um único dia, atingindo a marca de 491,2 mil. No total, de acordo com o Executivo, 1,7 milhão de passageiros utilizaram o sistema na primeira semana.
De acordo com o líder de governo do prefeito na Câmara, Marcio Ribeiro (PSD), os problemas no início da operação foram pontuais frente ao sucesso do novo sistema de bilhetagem. “Implementar um sistema que vai atender mais de um milhão de cariocas por dia tem seus problemas, e a prefeitura não nega, falhas podem acontecer. Estive com a secretária de Transportes e todas as falhas estão sendo corrigidas”, disse em plenário.
Na contramão, o relatório de Pedro Duarte apontou falhas e longas filas de até uma hora, endossando as reclamações dos usuários. A prefeitura, no entanto, reconheceu alguns dos problemas e já disse que está trabalhando para corrigi-los.






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