O prefeito Eduardo Paes (PSD) anunciou nesta quarta-feira (8) o adiamento do uso exclusivo do novo cartão de bilhetagem, o Jaé, para o dia 1º de julho. A decisão foi tomada em meio a críticas à gestão da Riocard, que Paes descreveu como “a raposa tomando conta do galinheiro”. Durante a coletiva, o prefeito afirmou estar enfrentando uma “máfia”, afirmando que a mudança na bilhetagem eletrônica é necessária para combater práticas abusivas.
“Estamos enfrentando uma turma que é uma máfia que já fez tudo que vocês conhecem. Eles estão incomodadíssimos com isso. Mafiosos que fazem essa caixa-preta há muito tempo no Rio. Eles não vão nos deter. Vamos dar transparência a esse sistema e pagar um preço justo”, disse Paes, enfatizando a necessidade de mais clareza e responsabilidade nas operações de transporte.
Usuários ainda poderão usar Riocard
Com o adiamento, os usuários poderão continuar utilizando o Riocard para pagar suas passagens. Aqueles que já adquiriram o Jaé ainda poderão usar o cartão em todos os modais municipais, mas não terão a opção de integrar as tarifas com os transportes estaduais. O novo cartão enfrenta dificuldades, especialmente pela falta de integração com linhas intermunicipais, metrô, trens e barcas, que ainda dependem do Riocard, administrado por empresários do setor.
O secretário estadual de Transportes, Washington Reis, já havia alertado sobre a impossibilidade de integrar os sistemas até fevereiro. “Terá que adiar esse prazo. Nessa data, será impossível começar essa operação. Estamos licitando a bilhetagem do estado, que será 100% integrada”, afirmou.
Falta de integração pode custar até R$ 162 a mais por mês
Um levantamento do vereador Pedro Duarte (Novo) indica que a falta de integração pode custar ao trabalhador entre R$ 126 a R$ 162 a mais por mês, considerando duas viagens diárias. Duarte ressaltou que “essa confusão não pode continuar se estendendo. Está na hora da Prefeitura, o governo do Estado e as empresas chegarem a uma solução”.
Enquanto isso, o Metrô Rio respondeu à cobrança da prefeitura, afirmando que as tarifas de integração são custeadas pela concessionária e que a interrupção do serviço prejudicaria a mobilidade urbana. A secretária municipal de Transportes, Maína Celidonio, exigiu a instalação de validadores do Jaé nas estações do metrô, alertando que a não conformidade poderia encerrar a integração com linhas de ônibus.
As dificuldades também se estendem à compra do cartão Jaé, com relatos de usuários enfrentando problemas no processo de aquisição. Enquanto isso, especulações sobre uma possível venda da empresa responsável pelo Jaé estão em circulação, mas ainda não foram confirmadas.
Com informações de O Globo





