Israel captura castelo estratégico no Líbano da época das Cruzadas; é a incursão militar mais profunda em 26 anos

Avanço militar leva tropas israelenses a uma das posições mais estratégicas da região e amplia tensão com o Hezbollah apesar de cessar-fogo em vigor

As forças israelenses anunciaram a captura do castelo de Beaufort, uma fortaleza construída durante as Cruzadas e situada no topo de uma montanha estratégica no sul do Líbano. A operação representa o avanço mais profundo das tropas de Israel em território libanês em mais de 25 anos e marca uma nova etapa na guerra contra o Hezbollah, iniciada em março deste ano.

A tomada da posição ocorreu após dias de confrontos intensos e bombardeios em áreas vizinhas. Segundo o Exército israelense, as tropas enfrentaram combatentes do Hezbollah em uma região montanhosa considerada fundamental para o controle militar do sul do país.

O castelo de Beaufort está localizado próximo à cidade de Nabatieh, um dos principais centros urbanos do sul libanês. A conquista da fortaleza é vista como um dos ganhos territoriais mais relevantes obtidos por Israel desde o início da atual campanha militar.

Fortaleza tem importância histórica e estratégica

Construído durante o período das Cruzadas, o castelo de Beaufort ocupa uma posição elevada com ampla visibilidade sobre a região. Ao longo das décadas, a fortaleza se transformou em um ponto militar de grande valor estratégico devido à sua localização dominante.

Israel já havia controlado o castelo durante a invasão do Líbano em 1982, mantendo presença na área até sua retirada do país, em 2000.

Neste sábado, o porta-voz militar israelense Avichay Adraee divulgou uma fotografia nas redes sociais mostrando soldados israelenses circulando pela fortaleza após a captura da posição.

Operação avança além do rio Litani

Em comunicado, o Exército israelense informou que a ofensiva foi iniciada há alguns dias na cordilheira de Beaufort e também no vale de Suluki, mais ao sul. Segundo os militares, o objetivo da operação é eliminar estruturas utilizadas pelo grupo militante Hezbollah e neutralizar o que classificam como ameaças à população israelense.

As forças israelenses avançaram por diversos vilarejos após cruzarem o rio Litani, que durante anos funcionou como uma espécie de linha divisória informal entre áreas de influência no sul do Líbano.

Com a nova ofensiva, as tropas estariam agora a cerca de cinco quilômetros de Nabatieh, aproximando-se de uma das cidades mais importantes da região.

O Exército afirmou ainda estar preparado para ampliar as operações militares caso considere necessário.

Cessar-fogo não impede escalada do conflito

O avanço militar ocorre apesar da existência de um cessar-fogo nominal em vigor desde 17 de abril. Na prática, porém, os confrontos e ataques continuaram sendo registrados em diferentes pontos da fronteira e do território libanês.

A ofensiva também acontece enquanto representantes dos dois países participam de conversas diretas em Washington, numa tentativa de reduzir as tensões e evitar uma escalada ainda maior do conflito.

Guerra começou após ataques com foguetes

A atual guerra entre Israel e Hezbollah teve início em 2 de março. Na ocasião, o grupo libanês lançou foguetes contra o norte de Israel dois dias após ataques realizados por forças estadunidenses e israelenses contra o Irã, principal aliado regional do Hezbollah.

Desde então, Israel iniciou uma ampla campanha militar, incluindo operações terrestres no sul do Líbano. Ao longo dos últimos meses, as tropas israelenses passaram a controlar dezenas de cidades e vilarejos próximos à fronteira.

O conflito já provocou uma grave crise humanitária. Segundo os números mais recentes, ao menos 3.350 pessoas morreram no Líbano desde o início da guerra, enquanto mais de um milhão de moradores foram obrigados a deixar suas casas em razão dos combates.

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