Israel bombardeia reator nuclear em Arak e amplia ofensiva contra o Irã

Reator de água pesada foi evacuado antes dos bombardeios, segundo Teerã

Em mais um capítulo da crescente tensão no Oriente Médio, o Exército de Israel confirmou nesta quinta-feira (19) ter realizado ataques aéreos contra três instalações nucleares no Irã, localizadas nas cidades de Arak, Natanz e Isfahan. As informações foram publicadas pelo g1.

Segundo as autoridades israelenses, os bombardeios fazem parte de uma ofensiva militar que teve início na última sexta-feira (14), com o objetivo declarado de frear o avanço do programa nuclear iraniano.

Um dos principais alvos foi o reator de água pesada em Arak, a cerca de 250 km da capital Teerã. De acordo com a Agência de Notícias Estudantil Iraniana (ISNA), o local foi evacuado antes do ataque e não houve risco de contaminação por radiação. A Reuters também confirmou essa informação. A água pesada é usada para resfriamento de reatores e pode gerar plutônio como subproduto — elemento-chave na fabricação de armamentos nucleares.

O governo de Israel alegou ainda ter atingido um centro de desenvolvimento nuclear em Natanz, conhecido por já ter abrigado operações de enriquecimento de urânio. Em Isfahan, o tipo de instalação bombardeada não foi divulgado pelas Forças de Defesa de Israel.

Inicialmente, Tel Aviv também havia anunciado ter atacado a usina de Bushehr, a única em operação no Irã. No entanto, a informação foi posteriormente retificada por um porta-voz militar, que classificou a divulgação como um erro. Questionado sobre uma possível investida contra Bushehr, um oficial israelense respondeu que “não podia confirmar nem negar” a ação. A Rússia, que possui técnicos trabalhando na usina, reagiu com um apelo formal para que Israel cesse imediatamente suas operações militares na área.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu defendeu a ofensiva em uma entrevista coletiva em um hospital de Tel Aviv, poucas horas após um ataque iraniano ter deixado 40 feridos na cidade. “Estamos comprometidos a combater a ameaça nuclear. O Irã não pode ter uma arma nuclear, é simples assim”, declarou. Ele ainda fez menção ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com quem, segundo afirmou, compartilha “o mesmo objetivo”.

A escalada entre os dois países levanta temores de um envolvimento direto dos Estados Unidos no conflito. Israel pressiona Washington para que participe de operações, especialmente devido à capacidade militar norte-americana de atingir instalações nucleares subterrâneas iranianas. Em declarações recentes, Trump afirmou que “a paciência de Washington está se esgotando”, embora tenha descartado, por ora, uma ação direta contra o aiatolá Ali Khamenei: “não pretendo matá-lo, por enquanto”, disse.

A nova rodada de confrontos entre Israel e Irã tem provocado preocupação global, principalmente diante do risco de um confronto direto entre potências e da instabilidade que os ataques a instalações nucleares podem gerar na região e além dela.

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