EUA advertem Irã contra ataques a suas bases após bombardeio israelense a alvos nucleares

Marco Rubio alerta Teerã a não retaliar contra tropas americanas no Oriente Médio

O governo dos Estados Unidos enviou um forte recado ao Irã nesta quinta-feira (12), em meio à escalada das tensões no Oriente Médio provocada pelos bombardeios israelenses contra instalações nucleares iranianas. O alerta foi feito pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que advertiu Teerã a não retaliar atingindo alvos ou pessoal dos EUA na região.

“Deixe-me ser claro: o Irã não deve atacar os interesses ou o pessoal dos EUA”, declarou Rubio em comunicado, no qual enfatizou que Washington “não está envolvido em ataques contra o Irã” e reiterou que a prioridade do governo é proteger as forças americanas destacadas no Oriente Médio. Segundo ele, Israel agiu de forma autônoma e comunicou que a ofensiva foi uma medida de autodefesa.

A resposta de Rubio veio no mesmo dia em que as Forças Armadas israelenses lançaram a operação “Nação de Leões”, classificada como uma série de “ataques preventivos” contra o programa nuclear iraniano e outras estruturas militares, incluindo instalações de mísseis balísticos. A ação incluiu dezenas de aeronaves e atingiu múltiplas áreas do Irã.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que a ofensiva visou a instalação de enriquecimento de urânio em Natanz e cientistas nucleares iranianos. “Estamos diante de um momento decisivo. O programa nuclear iraniano representa uma ameaça clara e presente à sobrevivência de Israel”, afirmou.

Imagens exibidas pela TV estatal do Irã mostraram explosões em várias cidades estratégicas, como Teerã, Esfahã, Arak e Kermanshah — regiões onde se concentram instalações industriais e militares. Fontes do governo israelense, ouvidas pelo Haaretz, relataram que alvos ligados ao desenvolvimento de mísseis também foram atingidos.

Repercussão internacional

O ataque ocorre em meio à reunião do conselho de governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em Viena. Nesta semana, EUA, Reino Unido, França e Alemanha apresentaram uma resolução criticando o avanço do programa atômico iraniano, apontando violações ao acordo nuclear de 2015. Segundo a AIEA, esta foi a primeira violação formal do Irã às regras de não proliferação em quase duas décadas.

A escalada acontece poucos dias antes de uma nova rodada de negociações entre Washington e Teerã, prevista para ocorrer em Omã. O presidente Donald Trump declarou que os EUA estavam “muito próximos de um acordo”, mas admitiu que o ataque israelense “poderia ajudar, mas também poderia prejudicar” os esforços diplomáticos.

Apesar da gravidade do cenário, a CNN confirmou que os EUA não participaram da ofensiva nem forneceram suporte logístico a Israel. O governo Trump convocou uma reunião de gabinete de emergência para avaliar os desdobramentos e ainda não se sabe se Washington será envolvido em eventual contraofensiva iraniana.

Risco de retaliação

De acordo com o New York Times, autoridades iranianas já haviam se reunido antes do bombardeio para avaliar possíveis cenários de resposta. Uma fonte do governo de Teerã afirmou que o país planeja uma reação imediata, incluindo o lançamento de centenas de mísseis contra Israel.

O ministro da Defesa do Irã, general Aziz Nasirzadeh, elevou o tom e ameaçou diretamente os EUA. Em pronunciamento na quarta-feira, ele advertiu que, caso o conflito se concretize, bases americanas em países vizinhos serão atacadas. “Todas as bases dos EUA estão ao nosso alcance e as atacaremos sem hesitação nos países anfitriões”, declarou. Segundo ele, se um conflito for imposto, “as baixas do inimigo certamente serão maiores que as nossas”.

Além disso, os EUA instruíram previamente seus diplomatas a deixarem países como Iraque, Bahrein e Kuwait, diante do risco de instabilidade generalizada.

Histórico e contexto

O atual conflito reverbera o colapso do acordo nuclear de 2015, mediado pelo então presidente Barack Obama. O pacto previa a suspensão das sanções internacionais contra o Irã em troca do fim de seu programa atômico. Em 2018, Trump retirou unilateralmente os EUA do acordo, o que, segundo Teerã, legitimou o retorno de seu programa nuclear.

Desde então, o Irã tem ampliado sua capacidade de enriquecimento de urânio, segundo observadores internacionais. Israel argumenta que o país já possui material suficiente para fabricar diversas ogivas nucleares em poucos dias — o que motivou a ofensiva.

O Oriente Médio, agora em estado de alerta, aguarda a resposta do Irã e os próximos passos da diplomacia internacional diante do risco real de um conflito regional em larga escala.

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