A crise entre Irã e Estados Unidos ganhou um novo capítulo neste sábado (11), com o anúncio de Teerã de que o Estreito de Hormuz está fechado até que cesse a interferência militar americana na região. A decisão foi seguida por uma nova ofensiva dos Estados Unidos contra alvos iranianos, ampliando o risco de uma escalada no Oriente Médio.
Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), os ataques foram uma resposta ao disparo de advertência realizado pela Guarda Revolucionária contra um navio porta-contêineres de bandeira cipriota que navegava pela hidrovia considerada estratégica para o comércio internacional.
Explosões foram registradas nas cidades iranianas de Bushehr e Asaluyeh, no sul do país. O governo americano afirmou que as ações militares foram determinadas pelo presidente Donald Trump em resposta ao que classificou como novas agressões iranianas.
EUA prometem resposta mais dura
Em publicação nas redes sociais, o Centcom declarou que o Irã teve mais uma oportunidade para cumprir o memorando de entendimento firmado entre os dois países, mas voltou a atacar embarcações comerciais.
Na sequência, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, endureceu o discurso ao afirmar que o governo iraniano “fez uma escolha ruim” e que “vai pagar por isso”, sinalizando a continuidade das operações militares caso ocorram novos ataques.
Poucas horas antes da ofensiva americana, Teerã havia comunicado oficialmente que considera o Estreito de Hormuz fechado até que Washington interrompa sua atuação militar na região.
Negociações continuam sob pressão
O anúncio iraniano ocorreu após uma reunião entre os ministros das Relações Exteriores do Irã e de Omã, que discutiram alternativas para reduzir as tensões na hidrovia.
O governo de Omã informou que os dois países concordaram em manter conversas nos níveis técnico e político para buscar mecanismos que garantam a segurança da navegação.
Apesar disso, o chanceler iraniano Abbas Araghchi reiterou que Teerã considera legítimo exercer controle sobre o estreito e cobrar taxas das embarcações que utilizam a passagem, posição contestada pela maior parte da comunidade internacional, que reconhece a região como uma rota marítima internacional.
Estreito de Hormuz é estratégico para a economia mundial
Antes da guerra, aproximadamente 20% de todo o petróleo e do gás natural comercializados no planeta passavam diariamente pelo Estreito de Ormuz.
Desde o início do conflito, o controle exercido pelo Irã sobre a região provocou forte instabilidade nos mercados internacionais de energia. Embora os preços do petróleo tenham recuado após os picos registrados durante os confrontos, o bloqueio continua sendo motivo de preocupação para governos e investidores.
Os Estados Unidos passaram a orientar embarcações comerciais a utilizarem uma rota alternativa pelas águas territoriais de Omã, enquanto Teerã insiste que apenas a passagem controlada pelo Irã é considerada válida.
Troca de ameaças amplia incertezas
O governo iraniano também acusou Washington de violar o acordo provisório firmado entre os dois países ao restabelecer restrições para a venda de petróleo iraniano em dólares.
Em resposta, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos mantêm um grande arsenal de mísseis preparado para eventual reação caso o Irã execute ameaças contra autoridades americanas.
No mesmo dia, o novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, fez seu primeiro pronunciamento público desde o funeral de Ali Khamenei e declarou que a morte de seu pai será vingada, reforçando o discurso de enfrentamento adotado pelo governo iraniano.
Conflito permanece sem perspectiva de solução
Apesar das tentativas de mediação internacional, o acordo provisório de cessar-fogo continua sob forte pressão.
Autoridades americanas afirmam que uma ala mais radical do governo iraniano tem dificultado o cumprimento dos compromissos assumidos durante as negociações. Já Teerã sustenta que permanece unido sob a liderança de Mojtaba Khamenei e mantém sua estratégia de controle sobre o Estreito de Hormuz.





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