Irã diz que invasão dos EUA à Venezuela é ‘ilegal’ e pede libertação de Maduro

Teerã mantém apoio a Caracas em meio à escalada de tensões regionais

O governo do Irã afirmou nesta segunda-feira que suas relações com a Venezuela permanecem inalteradas, apesar da saída do presidente Nicolás Maduro, sequestrado pelos Estados Unidos após uma intervenção militar do país norte-americano em Caracas. Além de reafirmar a parceria histórica entre os dois países, Teerã pediu a libertação do venezuelano e classificou a operação conduzida por Washington como ilegal.

A manifestação iraniana ocorre em meio à rápida reconfiguração do cenário político na Venezuela e à ampliação das tensões diplomáticas envolvendo os Estados Unidos e aliados estratégicos de Caracas, como Irã e Cuba.

Posição oficial de Teerã

Durante uma coletiva de imprensa, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baqai, afirmou que a mudança no comando venezuelano não altera os vínculos bilaterais.

“Nossas relações com todos os países, incluindo a Venezuela, baseiam-se no respeito mútuo e continuarão sendo assim”, declarou Baqai. “Estamos em contato com as autoridades venezuelanas”, acrescentou.

O porta-voz também saiu em defesa direta de Maduro, reforçando a leitura iraniana de que a ação dos EUA violou normas internacionais.

“O presidente de um país e sua esposa foram sequestrados. Não há motivo para se orgulhar, é um ato ilegal”, afirmou. “Como o povo venezuelano destacou, seu presidente deve ser libertado”, completou.

Ameaças de Washington à Colômbia

A reação do Irã ocorre um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ampliar o tom beligerante em relação a outros países da região. Em declarações a jornalistas, Trump ameaçou realizar uma ação militar contra o governo da Colômbia, enquanto o presidente colombiano, Gustavo Petro, classificava como “sequestro” a captura de Maduro.

“A Colômbia também está muito doente, administrada por um homem doente, que gosta de fazer cocaína e vendê-la para os Estados Unidos, e ele não vai fazer isso por muito tempo”, disse Trump a repórteres a bordo do Air Force One, em uma aparente referência a Petro.

Questionado sobre a possibilidade de uma operação militar contra a Colômbia, o presidente dos EUA respondeu de forma direta: “Parece bom para mim”.

Petro é um dos críticos mais contundentes das ações militares dos Estados Unidos na região, sobretudo aquelas justificadas pelo combate ao narcotráfico, e tem travado sucessivos embates verbais com Trump desde o início do segundo mandato do republicano.

Reação colombiana e embates diplomáticos

No domingo, o presidente colombiano voltou a criticar publicamente a operação realizada na Venezuela, destacando a ausência de base legal para a ação.

“Sem base legal para realizar uma ação contra a soberania da Venezuela, a detenção se transforma em sequestro”, escreveu Petro na rede social X.

Durante a coletiva de imprensa em que detalhou a operação em Caracas, Trump intensificou a pressão sobre o líder colombiano e afirmou que Petro “precisa ficar de olho no próprio traseiro”, em resposta à declaração do presidente da Colômbia de que não teme ser o próximo alvo de Washington.

Cuba no centro da escalada

O presidente dos EUA também voltou suas declarações contra Cuba, um dos principais aliados do governo venezuelano. Segundo Trump, o país estaria à beira de um colapso político e econômico.

“Cuba está pronta para cair”, declarou o republicano, afirmando que seria difícil para Havana “resistir” sem o fornecimento de petróleo venezuelano, historicamente subsidiado. “Não acho que precisemos de nenhuma ação. Parece que o país está prestes a sucumbir”, concluiu.

Trump afirmou ainda que muitos cubanos que integravam a equipe de segurança de Maduro morreram durante a operação militar do sábado. O governo cubano informou, no domingo, que 32 cidadãos do país morreram em combate durante o ataque dos EUA à Venezuela.

No fim de semana, Trump já havia sinalizado que Cuba poderia voltar ao centro da política externa dos Estados Unidos. A linha dura foi reforçada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, que fez duras críticas ao governo cubano.

“Se eu morasse em Havana e estivesse no governo, eu estaria pelo menos preocupado”, declarou.

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