Ipec (ex-Ibope) confirma Datafolha: eleitores mais pobres e das periferias que apoiaram Bolsonaro em 2018 agora voltam a votar em Lula

Um cruzamento de dados da pesquisa Ipec (ex-Ibope) divulgada na semana passada aponta que os eleitores mais pobres, com renda familiar mensal de até um salário mínimo, e os que moram nas periferias de grandes centros urbanos tendem a migrar o voto que a Jair Bolsonaro (PL) para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva…

Um cruzamento de dados da pesquisa Ipec (ex-Ibope) divulgada na semana passada aponta que os eleitores mais pobres, com renda familiar mensal de até um salário mínimo, e os que moram nas periferias de grandes centros urbanos tendem a migrar o voto que a Jair Bolsonaro (PL) para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na eleição do ano que vem.

De acordo com o Globo, o levantamento destaca que “o percentual que migra para Lula sobe para 32% entre os mais pobres, considerando os eleitores que já declaram agora intenção de votar em algum candidato, em branco ou nulo”. Entre os eleitores das periferias, 37% dos que votaram em Bolsonaro em 2018 apontam que deverão votar em Lula em 2022.

“Em 2018, o PT perdeu votação nas periferias de grandes cidades. Depois de três anos de governo Bolsonaro, parece haver uma avaliação de que a situação atual é pior, especialmente em termos de renda e desemprego”, observou o cientista político Oswaldo Amaral, diretor do Centro de Estudos de Opinião Pública (Cesop), da Unicamp.

A interpretação do antigo Ibope coincide no conceito, mas é menos taxativa que a mostrada pelo Datafolha semana passada.

Há uma semana, o Agenda do Poder noticiava que o Datafolha apontara a mesma tendência em sua última pesquisa: uma debandada de eleitores de Bolsonaro.

O levantamento revelou que 4 em cada 10 apoiadores do presidente há três anos desertaram. Parte expressiva desses eleitores mudou o voto para Lula.

Num hipotético cenário de segundo turno com o PT, desta vez representado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 63% dos que votaram em Bolsonaro contra Haddad na última eleição repetiriam a dose agora.

Já Lula conquista 26% dos antigos apoiadores de Bolsonaro, enquanto 10% votariam nulo ou branco. Em outras palavras, 1 em cada 4 eleitores que rejeitaram o candidato do PT em 2018 estão dispostos a apoiar o nome do partido agora.

No universo dos que votaram em Haddad no segundo turno da eleição passada, 95% dizem que agora vão de Lula. Apenas 2% dos que rejeitaram Bolsonaro dizem ter mudado de ideia e pretendem apoiar o presidente agora. As informações foram divulgadas pela Folha.

Como este blog informou, com base em interpretação do “CartaExpressa”, a última pesquisa Datafolha mostrou ainda que a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recuperou todo o eleitorado mais pobre que historicamente sempre esteve com ele e até o ampliou.

Lula tem 56% das intenções de voto entre os eleitores mais pobres – com renda de até dois salários mínimos. O número é um ponto superior a 2006, quando alcançou, na véspera do primeiro turno, 55% de apoio na faixa de menor renda.

No mesmo segmento, Jair Bolsonaro (PL) amarga apenas 16% das intenções de voto.

Essa fatia da população, que concentra metade dos eleitores brasileiros, rejeita o atual presidente por atribuir a ele a maior parcela de culpa pela crise econômica brasileira.

O salto em relação a 2018 é impressionante: Fernando Haddad tinha apenas 29% do eleitorado mais pobre a seu favor nas pesquisas às vésperas do pleito, com pequena vantagem sobre Bolsonaro, que tinha 25% das intenções de voto no grupo.

Ainda segundo o Datafolha, Lula também recuperou o terreno perdido entre o eleitorado de classe média: 42% daqueles que recebem entre 2 e 5 salários mínimos dizem que irão votar no ex-presidente em 2022. Bolsonaro tem apenas 28% nesta parcela que lhe rendeu ampla vantagem contra Haddad em 2018.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading