A prévia da inflação oficial do país perdeu força em junho, mas continuou refletindo o impacto do aumento dos alimentos e da energia elétrica sobre o orçamento das famílias. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgado nesta quinta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou alta de 0,41% no mês, abaixo dos 0,62% observados em maio.
O resultado também veio inferior à mediana das projeções do mercado financeiro, que apontava avanço de 0,44%, segundo levantamento da agência Bloomberg. As estimativas variavam entre 0,35% e 0,52%.
Apesar da desaceleração, o índice representa a maior inflação para um mês de junho desde 2022, quando o IPCA-15 havia alcançado 0,69%.
No acumulado de 12 meses, a inflação acelerou de 4,64% para 4,8%, afastando-se ainda mais do teto de 4,5% da meta perseguida pelo Banco Central. O mercado financeiro, inclusive, já projeta que o IPCA encerrará 2026 acima de 5%.
Alimentos seguem liderando as pressões
Mesmo registrando desaceleração em relação ao mês anterior, o grupo alimentação e bebidas voltou a exercer a maior influência sobre o indicador.
O segmento apresentou alta de 0,74% em junho, ante 1,38% em maio, respondendo sozinho pelo maior impacto sobre o índice geral, equivalente a 0,16 ponto percentual.
A alimentação consumida dentro de casa também perdeu intensidade, passando de alta de 1,73% para 0,87%, mas diversos produtos continuaram apresentando aumentos expressivos.
Entre os maiores reajustes do mês estão a batata-inglesa, que ficou 29,42% mais cara, o tomate, com avanço de 17,27%, o feijão-carioca, que subiu 14,29%, e a cebola, com alta de 9,54%.
Em contrapartida, alguns produtos ajudaram a amenizar a inflação do grupo. O café moído registrou queda de 3,69%, enquanto as frutas ficaram, em média, 0,96% mais baratas.
No acumulado do primeiro semestre, entretanto, alguns alimentos apresentaram aumentos superiores a 100%. O tomate acumula alta de 103,84%, a cenoura avançou 103,1% e a batata-inglesa já ficou 100,2% mais cara no período.
Energia elétrica continua pesando no orçamento
O grupo habitação foi o segundo maior responsável pela inflação de junho, registrando alta de 0,72% e impacto de 0,11 ponto percentual.
Somados, alimentação e habitação responderam por aproximadamente dois terços do resultado do IPCA-15 no mês.
O principal fator de pressão no grupo foi novamente a energia elétrica residencial, que registrou aumento de 2,04%.
O avanço dos preços foi influenciado pela manutenção da bandeira tarifária amarela durante maio e junho, mecanismo que acrescenta cobrança extra nas contas de luz.
Além disso, reajustes autorizados nas tarifas de energia em cidades como Belo Horizonte, Recife, Fortaleza e Salvador também contribuíram para o resultado. Individualmente, a energia elétrica foi o item que mais pressionou a inflação do mês.
Prévia indica tendência para o índice oficial
O IPCA-15 funciona como uma prévia da inflação oficial medida pelo IPCA. A principal diferença entre os indicadores está no período de coleta dos preços.
Enquanto o IPCA-15 considera os preços pesquisados entre a segunda quinzena do mês anterior e a primeira metade do mês de referência, o IPCA acompanha toda a variação ocorrida ao longo do mês.
No caso do levantamento divulgado agora, a coleta foi realizada entre 16 de maio e 16 de junho.
O índice oficial referente a junho será divulgado pelo IBGE em 10 de julho.
Mercado revisa projeções para cima
As perspectivas para a inflação seguem pressionadas. Segundo o boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central, a mediana das projeções para o IPCA de 2026 aumentou pela 15ª semana consecutiva.
A expectativa mais recente aponta inflação de 5,33% ao final do ano, acima do limite máximo estabelecido pelo sistema de metas.
Entre os fatores que explicam a revisão das estimativas está a valorização do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelo conflito envolvendo o Irã. O aumento das cotações elevou o custo dos combustíveis e gerou impactos sobre diversos setores da economia.
Outro elemento que continua preocupando analistas é a inflação dos alimentos. Além das altas registradas nos últimos meses, há receio de que o fenômeno climático El Niño afete a produção agropecuária no segundo semestre, reduzindo a oferta de produtos e pressionando ainda mais os preços.
Impacto sobre juros e economia
O comportamento da inflação continua sendo um dos principais fatores acompanhados pelo Banco Central para definir os próximos passos da política monetária.
Na semana passada, a autoridade monetária reduziu a taxa básica de juros pela terceira reunião consecutiva, promovendo um corte de 0,25 ponto percentual e levando a Selic de 14,5% para 14,25% ao ano.
Apesar da redução, o Banco Central evitou antecipar qual será o ritmo dos próximos movimentos, diante das incertezas relacionadas ao comportamento da inflação e ao cenário internacional.
A persistência dos preços acima da meta mantém dúvidas sobre o espaço para novos cortes na taxa de juros ao longo dos próximos meses, enquanto governo, mercado financeiro e consumidores acompanham a evolução dos principais indicadores econômicos.






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