Jacqueline Iris Barcellar de Assis, investigada no inquérito da Delegacia do Consumidor (Decon) sobre transplantes de órgãos infectados pelo HIV, apresentou-se à polícia na tarde desta terça-feira (15), na Cidade da Polícia, localizada no Jacarezinho, no Rio. A Justiça havia decretado sua prisão temporária por cinco dias após a revelação, na última sexta-feira, de que seis pacientes na fila de transplante receberam órgãos contaminados.
A operação Verum, realizada pela Polícia Civil na segunda-feira, teve como objetivo cumprir 11 mandados de busca e apreensão e quatro de prisão, incluindo o de Jacqueline, em endereços em Nova Iguaçu e na capital. Durante a ação, Walter Vieira, sócio do laboratório PCS Lab Saleme, e Ivanilson Fernandes dos Santos foram detidos.
Jacqueline é mencionada em documentos judiciais que ordenaram a prisão de quatro investigados, juntamente com Walter Vieira. As investigações revelaram que dois resultados com ‘falsos negativos’ para sorologia de HIV foram assinados por ela e Walter Ferreira, respectivamente. A decisão também destacou a formação acadêmica de Jacqueline como desconhecida, com indícios de informações falsas no cadastro do Conselho Regional de Biomedicina.
Um dos investigados continua foragido
Além de Jacqueline e Walter, Cleber de Oliveira Santos e Ivanilson também tiveram prisões temporárias decretadas, enquanto Cleber continua foragido. De acordo com as apurações, Ivanilson seria responsável pelos laudos e Cleber atuava no protocolo dos exames junto com ele.
Ao Globo, Jacqueline admitiu que suas assinaturas aparecem nos laudos, mas negou qualquer participação no esquema. Ela alegou não ser biomédica e que o número de registro no Conselho que consta nos documentos pertence a outra pessoa. O laboratório, por sua vez, afirmou que ela se apresentou como biomédica e apresentou mensagens que indicariam isso, embora os laudos assinados por ela sejam anteriores a essas comunicações.
Jacqueline declarou que foi contratada como supervisora administrativa em outubro de 2023, recebendo um salário de R$ 1.600. Ela também relatou ter sido alvo de ameaças após o caso ganhar notoriedade.
“Meu nome foi utilizado de maneira indevida. Estou sendo massacrada, recebendo ameaças no WhatsApp. Tenho provas de que nada disso passou por mim lá dentro”, defendeu-se Jacqueline, enfatizando que suas assinaturas foram coletadas de forma inadequada e que sua função era meramente administrativa.
Com informações de O Globo





