A decisão do ministro Alexandre de Moraes de investigar o vazamento de dados fiscais de integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e de seus familiares aumentou a tensão na Corte, informa Igor Gadelha, no Metrópoles. A medida foi tomada no âmbito do inquérito das fake news, que tramita em sigilo, e tem gerado reações divergentes entre os magistrados.
Críticas de ministros sobre a decisão
Nos bastidores, ministros que costumam se posicionar contra Moraes demonstraram incômodo com a determinação de solicitar à Receita Federal o rastreamento dos acessos aos dados fiscais. Um magistrado influente ouvido pela coluna qualificou a ordem como “ilícita” e afirmou que apenas o presidente do STF, Edson Fachin, teria competência para fazer esse tipo de solicitação diretamente à Receita.
O mesmo ministro criticou ainda a falta de comunicação prévia aos demais integrantes da Corte. “Alguns colegas com quem falei não foram avisados dessa diligência ilícita! Não creio que ninguém tenha receio, mas essa diligência no bojo do inquérito das fake news é um absurdo! O que ele quer com isso? Só falta ele estar grampeando os ministros do STF”, declarou, sob condição de anonimato.
Apoio de aliados de Moraes
Por outro lado, ministros próximos a Alexandre de Moraes defendem a operação, argumentando que a medida visa responsabilizar servidores da Receita Federal suspeitos de acessar dados de maneira irregular. A ação teria sido solicitada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
“Ele vai para cima de quem organizou esta pancadaria no STF. Banqueiros, imprensa, Executivo”, afirmou à coluna um aliado do ministro, também sob reserva. Para esses integrantes, a investigação é necessária para proteger a integridade da Corte e punir abusos.
Clima interno do STF
O episódio se soma a outras tensões recentes na Corte, incluindo o caso Master, e reforça um ambiente de desconfiança entre ministros. Enquanto críticos de Moraes veem na iniciativa um excesso de poder, seus aliados afirmam que o objetivo é apenas responsabilizar os responsáveis por irregularidades nos acessos aos dados fiscais.






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