O dólar voltou a subir nesta terça-feira (17), atingindo R$ 6,20, apesar das constantes intervenções do Banco Central (BC). Foram realizados dois leilões nesta manhã, totalizando US$ 3,287 bilhões, mas a medida não conteve a valorização da moeda americana, que subiu após a apresentação do pacote de corte de gastos do governo, mal recebido pelo mercado.
Desde a última quinta-feira (12), o BC injetou US$ 12,76 bilhões no mercado por meio de leilões à vista e operações com compromisso de recompra. Apesar dos esforços, a moeda acumula alta de 26% em um ano e tem subido consistentemente desde que o pacote fiscal foi anunciado. As medidas, que preveem economia de R$ 327 bilhões em cinco anos, incluem limitação no crescimento do salário mínimo, mudanças no abono salarial e no BPC, ajustes na previdência militar e combate aos supersalários. No entanto, analistas acreditam que essas propostas podem ser diluídas no Congresso.
Dívida pública do país deve chegar a 81,7% do PIB
Além disso, a percepção de risco fiscal aumentou devido a declarações do presidente Lula contra o aumento da taxa Selic e à previsão de piora na dívida pública. O Tesouro Nacional estima que a dívida bruta do país chegue a 81,7% do PIB até 2026. Esses fatores geraram desconfiança no mercado, levando investidores a buscar proteção em dólares, o que pressiona ainda mais a cotação.
Analistas apontam que a alta no câmbio reflete uma combinação de incertezas fiscais e demanda reprimida por dólares no fim de ano. Empresas e fundos que aguardavam um recuo da moeda anteciparam suas remessas, intensificando a procura. A intervenção do BC, a maior desde 2021, tenta conter a volatilidade, mas o impacto tem sido limitado.
Com informações do Estado de S.Paulo





