O ex-presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio) Sydney Possuelo, o maior sertanista do Brasil, devolveu ao ministério da Justiça a Medalha do Mérito Indigenista que recebeu há cerca de 35 anos..
A decisão foi uma forma de protesto após o presidente Jair Bolsonaro receber a mesma homenagem esta semana.
Ele enviou a medalha junto com uma carta na qual afirma ter sentido “imensa surpresa e natural espanto” ao descobrir que Bolsonaro havia sido condecorado.
No texto, Possuelo relembra que Bolsonaro é conhecido por se opor a pautas indígenas e citou frase do presidente dita quando era deputado. “A cavalaria brasileira foi muito incompetente. Competente, sim, foi a cavalaria norte-americana, que dizimou seus índios no passado e hoje em dia não tem esse problema no país’.’
Ainda segundo a carta, ao entregar a medalha a Bolsonaro, a homenagem “perdeu toda a razão pela qual, em 1972, foi criada”.
O indigenista, reconhecido internacionalmente pelos trabalhos de aproximação com tribos isoladas, afirmou ainda que a concessão da medalha a Bolsonaro é “um flagrante, descomunal, ostensiva contradição em relação a tudo que vivi”.
Sertanista, Sydney Possuelo atuou com os irmãos Villas Boas. Ele viveu por várias décadas nas florestas brasileiras e participou do contato com diversos povos indígenas.
Um dos principais responsáveis pela demarcação das terras Yanomamis, Sydney hoje é contrário ao contato com os poucos povos indígenas que ainda vivem isolados na Amazônia.
A medalha é entregue como forma de homenagear pessoas que se destacaram na proteção ou na promoção dos direitos dos povos indígenas.
O ministro da Justiça, Anderson Torres, concedeu na quarta-feira a Medalha do Mérito Indigenista a Bolsonaro.
O ministro Torres também entregou a si próprio a medalha. Também receberam o mesmo agrado outros nove ministros, entre eles Braga Netto (Defesa), Tereza Cristina (Agricultura), Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional).






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