O Estado do Rio de Janeiro não possui nenhuma cidade entre as 200 melhores em qualidade de vida do Brasil, segundo dados do Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026, divulgado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e instituições parceiras. O município fluminense mais bem colocado é Resende, que aparece apenas na 249ª posição nacional.
Já São Francisco de Itabapoana, no Norte Fluminense, ocupa a última colocação entre as cidades do estado e figura na 5.424ª posição entre os 5.570 municípios brasileiros analisados.
O levantamento considera 57 indicadores sociais e ambientais, incluindo saneamento básico, moradia, segurança, acesso à educação e qualidade ambiental. A média nacional em 2026 foi de 63,40 pontos, levemente superior aos resultados registrados nos anos anteriores.
Resende lidera ranking fluminense

Resende alcançou 67,54 pontos e ficou à frente da capital fluminense, que obteve nota 67. Na sequência aparecem Nova Friburgo (66,91), Teresópolis (66,87) e Niterói (66,78).
Entre os municípios da Baixada Fluminense, Nilópolis aparece como o melhor desempenho regional, com 65,79 pontos no IPS.
Na outra ponta do ranking estadual, além de São Francisco de Itabapoana, aparecem Japeri (54,33), Carapebus (55,28), Sumidouro (55,74) e Itaboraí (56,8).
Segundo especialistas envolvidos no estudo, os resultados refletem problemas históricos ligados à desigualdade social e à gestão pública no estado.
Instabilidade política influencia desempenho social
Diretor do IPS Brasil, Beto Veríssimo afirmou que o Rio de Janeiro deveria apresentar índices mais elevados, especialmente pelo peso econômico e pelos royalties do petróleo recebidos pelo estado.
De acordo com ele, a instabilidade política enfrentada nas últimas décadas pode estar diretamente relacionada aos resultados obtidos no indicador social.
O especialista destacou ainda que o índice funciona como um retrato da qualidade dos serviços públicos oferecidos pelas administrações municipais, estaduais e pelas políticas federais implementadas nas cidades.
Capital do Rio perde para cidades menores
O geógrafo Hugo Costa observou que a capital fluminense ficou atrás de municípios médios de outros estados, como Uberlândia, Uberaba e Campina Grande.
Segundo o pesquisador, apesar da relevância econômica e política histórica do Rio de Janeiro, a desigualdade social continua sendo um dos principais entraves para avanços no progresso social.
Ele também comparou a situação da capital fluminense à de Santos, cidade portuária que aparece em posição superior no ranking nacional.
Baixada e capital enfrentam desafios em moradia e educação
Os pesquisadores apontam que fatores ligados à moradia, qualidade ambiental e ensino médio tiveram forte impacto negativo nos resultados da capital e da Baixada Fluminense.
Outro ponto destacado foi a dificuldade de cidades com alta arrecadação transformarem riqueza econômica em qualidade de vida para a população.
Exemplos citados incluem Duque de Caxias, Maricá e Saquarema, municípios que possuem elevado Produto Interno Bruto (PIB) ou recebem royalties do petróleo, mas ainda apresentam desempenho social abaixo do esperado.
Curitiba lidera entre as capitais brasileiras
Entre as capitais brasileiras, o Rio de Janeiro ocupa a 11ª colocação no IPS 2026.
A liderança nacional ficou com Curitiba, que atingiu 71,29 pontos. Na sequência aparecem Brasília, São Paulo, Campo Grande e Belo Horizonte.
Os dados do IPS Brasil reforçam o desafio enfrentado pelo Estado do Rio em converter força econômica em melhoria efetiva na qualidade de vida da população.






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