Incerteza fiscal eleva dólar ao recorde de R$ 5,91 e pressiona Bolsa

Expectativa por anúncio de Haddad sobre cortes de gastos e isenção do IR agrava tensão no mercado

O dólar fechou esta quarta-feira (27) com alta de 1,80%, cotado a R$ 5,9141, maior valor da história. O cenário reflete a incerteza fiscal enquanto o mercado aguarda o anúncio de medidas de contenção de gastos pelo governo, além da isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fará um pronunciamento em rede nacional às 20h30 para detalhar o pacote econômico.

O nervosismo dos investidores, intensificado pela demora na divulgação das medidas fiscais, pressionou os ativos brasileiros, com o dólar frequentemente próximo a R$ 5,80 nos últimos dias. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, registrou queda de 1,45%, fechando aos 128 mil pontos.

A proposta de isenção do IR será enviada ao Congresso junto com o pacote de cortes, que vem sendo preparado desde o final das eleições municipais. Segundo especialistas, o anúncio será decisivo para reduzir a percepção de fragilidade fiscal e acalmar os mercados.

“Realmente a inflação continua sendo uma preocupação e naturalmente é algo relacionado também à percepção de fragilidade fiscal, o que coloca importância e mesmo pressão para que haja um pacote de corte de gastos”, comentou Gesner Oliveira, professor da FGV e sócio da GO Associados.

A inflação medida pelo IPCA-15 de novembro veio acima do esperado, consolidando expectativas de um aumento mais agressivo da Selic em dezembro. Há 69% de chance de o Banco Central elevar a taxa básica de juros em 75 pontos-base, para 12% ao ano, acelerando o ritmo após o aumento de 50 pontos na última reunião.

Cenário externo e impactos no Brasil
No exterior, investidores analisam sinais do Federal Reserve (Fed) sobre futuros ajustes na política monetária dos EUA. Há 63% de chance de um corte de 25 pontos-base na taxa de juros pelo Fed em dezembro. O crescimento sólido da economia americana no terceiro trimestre, impulsionado pelo consumo, mantém o dólar valorizado globalmente, aumentando a pressão sobre moedas emergentes como o real.

Com informações da CNN Brasil

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