Imprensa internacional destaca bandeira gigante dos EUA usada por bolsonaristas na Paulista: ‘depositam sua fé na Casa Branca’

Jornais e agências estrangeiras apontam Bolsonaro como força política ainda relevante e ressaltam críticas ao Supremo e apelos a Trump

As manifestações do 7 de setembro realizadas em diferentes cidades brasileiras tiveram forte repercussão na imprensa internacional. Veículos de destaque nos Estados Unidos, Europa e Oriente Médio registraram a presença de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, os ataques direcionados ao Supremo Tribunal Federal (STF) e os pedidos de apoio ao presidente estadunidense, Donald Trump.

De acordo com reportagem do jornal O Globo, a cobertura estrangeira ressaltou não apenas o tamanho da mobilização, mas também os símbolos utilizados pelos manifestantes, que reforçaram o vínculo com a extrema direita internacional.

Símbolos estadunidenses e apelos à Casa Branca

O The New York Times destacou que a bandeira dos Estados Unidos esteve entre os símbolos mais visíveis nos protestos. O jornal citou uma bandeira gigante estendida na Avenida Paulista, camisetas com a imagem de Trump no Rio de Janeiro e até máscaras com o rosto do republicano em Brasília.

O diário estadunidense avaliou que, mesmo inelegível até 2030, Bolsonaro ainda é tratado por seus seguidores como uma liderança de peso. “Embora o Bolsonaro tenha sido impedido de ocupar cargos públicos até 2030, manifestantes de direita ainda mantêm a esperança de que seus direitos políticos sejam de alguma forma restaurados. Muitos depositam sua fé na Casa Branca”, relatou o NYT.

Já o jornal britânico The Guardian registrou os pedidos explícitos de apoio internacional. Em Brasília, um manifestante chegou a declarar: “Ele é o único que pode nos salvar… Trump é a nossa única salvação”. O periódico também enfatizou as críticas feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que condenou o que chamou de interferência estrangeira e classificou como “traidores” os políticos de direita que recorrem a Washington em busca de respaldo.

Julgamento no STF e presença da família Bolsonaro

A rede Al Jazeera, do Catar, apontou que o julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo pode resultar em penas superiores a 40 anos de prisão. A emissora chamou atenção para a participação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro nos atos em São Paulo e para a presença do senador Flávio Bolsonaro no Rio, vestindo uma camisa com a inscrição “Bolsonaro 2026”, em defesa da anistia ao pai, que está inelegível.

Para a rede estadunidense Associated Press, o 7 de setembro consolidou-se como uma espécie de demonstração anual de força da extrema direita brasileira. A agência estimou a presença de “dezenas de milhares” de manifestantes e destacou os ataques contra o ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal contra Bolsonaro.

Olhar europeu sobre os protestos

Na Europa, veículos também deram espaço à cobertura das manifestações. O francês Le Monde classificou os atos como uma “última resistência ou contra-ataque” do bolsonarismo. Já o espanhol El País destacou a atuação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que em seu discurso chamou Moraes de “tirano” e defendeu a volta do inelegível Bolsonaro em 2026.

A leitura predominante nos jornais estrangeiros é de que, mesmo após a inelegibilidade e o avanço dos processos judiciais, Bolsonaro segue como peça central da política brasileira, sustentado por uma base de apoiadores que busca projeção além das fronteiras nacionais.

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