Impasse no PL favorece esquerda e pode levar Castro a concluir mandato

Falta de coesão em torno de Miccione, ausência de Flávio Bolsonaro e risco fiscal mudam completamente o tabuleiro eleitoral no Rio

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Há um erro de cálculo político na formulação dos cenários para o próximo pleito estadual. Especula-se sobre as chances de Nicola Miccione, Douglas Ruas e André Ceciliano nas eleições indiretas da Alerj como se o jogo estivesse restrito a esse cardápio. Não está. Ignora-se a possibilidade — a cada dia mais concreta — de Cláudio Castro permanecer no cargo até o fim do mandato. O governador já decidiu que não seguirá com a candidatura caso não haja coesão no PL em torno do nome de seu chefe da Casa Civil.

Nesse cenário, a esquerda seria a maior beneficiária: sem Flávio Bolsonaro na disputa e com a mudança de planos de Castro, estaria praticamente assegurada a eleição de Benedita da Silva para uma das cadeiras do Senado. Ou seja, o PL por incapacidade tática acabaria por favorecer o PT.

Os deputados “híbridos” — aqueles que oscilam entre o apoio ao governador e a construção de um projeto político próprio — tendem a enfrentar dificuldades na reeleição. À frente do Palácio Guanabara até 2027, Castro deverá restringir espaços na máquina administrativa aos parlamentares que lhe negaram apoio no momento decisivo de sua estratégia político-eleitoral.

O governador tem dito a aliados que não se impressiona com as pesquisas que o colocam na liderança da corrida ao Senado. Se não puder indicar um nome de sua inteira confiança, ele próprio concluirá o mandato para o qual foi eleito com 59% dos votos válidos.

Setores do PL — o senador Flávio Bolsonaro inclusive — defendem a tese de que o governador-tampão deve disputar a reeleição em outubro. A avaliação é de que o cargo conferiria visibilidade ao candidato e garantiria um palanque estratégico para a candidatura presidencial do filho do ex-presidente.

Castro, no entanto, discorda. Avalia que sentar na cadeira em 2026 pode gerar desgaste em razão do déficit fiscal que se aproxima de R$ 19 bilhões. Mantido o impasse, permanecerá no cargo. Foi isso o que ficou decidido na tarde desta sexta-feira, após uma análise minuciosa de cenários conduzida pelo núcleo duro de assessores do Palácio Guanabara.

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