A Igreja Batista da Lagoinha anunciou o fechamento da unidade Belvedere, em Belo Horizonte (MG), conhecida por atrair público de alta renda. Era nesta unidade que Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, atuava.
A decisão do fechamento, confirmada no último domingo (15), ocorre em meio ao avanço de investigações da Polícia Federal que atingem diretamente o núcleo ligado à congregação e ao sistema financeiro.
O encerramento das atividades acontece poucos dias após a nova prisão de Fabiano Zettel, apontado como operador financeiro de Daniel Vorcaro. Ele é investigado por suspeitas como lavagem de dinheiro, corrupção e invasão de sistemas, dentro de um suposto esquema bilionário envolvendo o Banco Master.
A unidade, inaugurada em 2024 como parte da expansão da Lagoinha Global, rapidamente se tornou um espaço de influência entre empresários e lideranças religiosas. Relatórios de órgãos de controle indicaram movimentações financeiras consideradas atípicas, com repasses milionários que estariam ligados a estruturas próximas à igreja.
Apesar da repercussão, a Lagoinha não detalhou oficialmente os motivos do fechamento. A denominação afirmou anteriormente que cada unidade possui autonomia administrativa e jurídica, e que Zettel já havia sido afastado das funções desde 2025, quando surgiram as primeiras suspeitas.
Mesmo com o encerramento dos cultos e a exclusão de perfis nas redes sociais, o CNPJ da unidade segue ativo na Receita Federal. O nome de Zettel ainda aparece como presidente da entidade, sem registro formal de baixa ou mudança na direção.
A crise também expôs a relação próxima entre a família Vorcaro e lideranças da igreja. Daniel Vorcaro já participou de projetos de mídia ligados à instituição, enquanto sua irmã, Natália Vorcaro — esposa de Zettel — atuava como uma das principais líderes da unidade.
Nos bastidores, o fechamento é visto como consequência direta do desgaste causado pela terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada no início de março. A ação resultou em novas prisões e ampliou a pressão sobre instituições e pessoas ligadas ao caso.
No mesmo período, um vídeo de um dos líderes da igreja em São Paulo, pedindo perdão por falhas na gestão de recursos, repercutiu entre fiéis e foi associado por parte do público às investigações em curso.
As apurações continuam sob responsabilidade da Polícia Federal e outros órgãos de controle, que analisam a possível conexão entre atividades financeiras e estruturas religiosas.






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