Idosa de 102 anos recebe aviso de cancelamento unilateral de plano de saúde; operadora volta atrás após repercussão do caso

Martha, beneficiária do plano desde 2009, paga uma mensalidade de R$ 9.300 por um plano coletivo por adesão

Martha Zequetto Treco, uma senhora de 102 anos, foi comunicada em março de que seu plano de saúde, da Unimed Nacional, seria cancelado unilateralmente a partir de 1º de maio. A notificação veio através da administradora de benefícios Qualicorp, deixando seu filho, João Treco Filho, perplexo com a situação.

Martha, beneficiária do plano desde 2009, paga uma mensalidade de R$ 9.300 por um plano coletivo por adesão. A rescisão unilateral, embora permitida por lei, gerou indignação na família, especialmente considerando o estado de saúde delicado da idosa.

Martha necessita de cuidados em casa devido a uma infecção bacteriana resistente adquirida durante uma internação hospitalar, além de investigar uma suspeita de tumor de mama.

Treco Filho tentou, sem sucesso, reverter a decisão entrando em contato com a Qualicorp e a Unimed. A falta de alternativas oferecidas e a insistência na rescisão unilateral deixaram a família em uma situação delicada. Porém, após a intervenção da imprensa e uma liminar concedida pela Justiça garantindo a permanência de Martha no plano, a Unimed entrou em contato com a família, indicando a manutenção do plano.

Em nota, a Unimed Nacional reforçou que as rescisões de planos coletivos por adesão são regulamentadas pela Agência Nacional de Saúde (ANS) e comunicadas previamente às administradoras. No entanto, casos como o de Martha podem ser reavaliados, garantindo a continuidade do plano de saúde.

A situação de Martha não é única. Reclamações sobre cancelamentos de planos coletivos por adesão vêm crescendo na ANS desde o ano passado. Escritórios de advocacia, como Vilhena Silva, relatam um aumento significativo na busca por ações judiciais contra essas decisões, especialmente por parte de idosos e pessoas doentes, cujas vidas dependem desses cuidados médicos.

Das 3.848 reclamações de 2023, 1.317 foram no último trimestre do ano. O número representa uma alta de 54% em relação ao três últimos meses do ano anterior (856).

Com informações da Folha de S.Paulo

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