A Human Rights Watch (HRW) divulgou um novo relatório em que afirma que o sistema global de proteção aos direitos civis enfrenta um momento crítico. Segundo a organização, o cenário internacional registra avanços de governos que desafiam normas democráticas e enfraquecem instituições criadas para limitar abusos de poder.
O documento destaca que, apesar de China e Rússia serem rivais estratégicos dos Estados Unidos, há um ponto em comum entre Donald Trump, Xi Jinping e Vladimir Putin: o desprezo aberto por regras e mecanismos institucionais que poderiam restringir suas decisões e ações políticas.
Para a HRW, esse comportamento tem impactos diretos sobre a ordem internacional e contribui para a erosão de compromissos históricos com os direitos humanos, abrindo espaço para práticas autoritárias em diferentes regiões do mundo.
Pressão sobre a democracia e mudança de postura dos EUA
O relatório questiona se os Estados Unidos teriam mudado de posição no campo da defesa dos direitos humanos. A avaliação da organização é de que, em apenas 12 meses, o governo Trump atacou pilares fundamentais da democracia americana e utilizou o poder estatal como instrumento de intimidação política.
A HRW também reforça que China e Rússia seguem, há anos, uma agenda considerada antidemocrática e que esses países teriam a ganhar com um governo norte-americano que passou a demonstrar hostilidade aberta aos direitos universais.
Além disso, o documento condena a situação humanitária em regiões como Gaza e Sudão, apontando que conflitos e crises políticas continuam a produzir graves violações de direitos fundamentais.
Proposta de aliança global e papel do Brasil
A mensagem central da organização é clara: no que classifica como uma “nova desordem mundial”, o poder tem prevalecido sobre regras e valores democráticos. Como resposta, a HRW defende a criação de uma nova aliança global para conter retrocessos e fortalecer a proteção aos direitos civis.
Essa coalizão, segundo o relatório, deveria reunir democracias consolidadas com peso econômico e geopolítico, incluindo atores como a União Europeia e o Brasil, capazes de exercer influência no cenário internacional.
Sobre o Brasil, a organização classificou como histórica a decisão do Supremo Tribunal Federal de condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros ex-integrantes de seu governo por tentativa de golpe de Estado, destacando o papel das instituições na preservação da ordem democrática.
Segurança pública e combate ao crime organizado
No campo da segurança pública, a Human Rights Watch chamou atenção para a infiltração de facções criminosas em empresas e instituições públicas e privadas, apontando esse fenômeno como um dos grandes desafios estruturais do país.
Para especialistas, o enfrentamento passa por estratégias que vão além da repressão direta. “É só desarticulando essas organizações criminosas, seguindo o dinheiro desses grupos e desmontando suas teias financeiras que, de fato, eles podem ser enfraquecidos”, afirma Samira Bueno, diretora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
O relatório conclui que, sem uma resposta coordenada entre países e instituições, o risco é de que o enfraquecimento do sistema global de proteção aos direitos civis se torne um processo difícil de reverter.






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