Os hospitais do Estado do Rio decidem nesta terça-feira, em assembleia convocada pela Federação de Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado do Rio (FHERj), se irão suspender o atendimento aos 234 mil usuários da Unimed Ferj, informa Miriam Leitão, em O Globo. As unidades afirmam que a cooperativa acumula dívidas bilionárias com a rede credenciada e que, até o momento, não apresentou garantias financeiras para quitar os débitos.
Assembleia debate ação contra reguladora
Na pauta do encontro está também a autorização para o ajuizamento de Ação Civil Pública contra a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A proposta que será submetida aos representantes prevê exigir judicialmente que a reguladora decrete a liquidação da Unimed Ferj e nomeie um interventor para administrar a crise.
Crise se arrasta desde o ano passado
Ao longo do ano passado, as interrupções de atendimento tornaram-se frequentes na rede vinculada à cooperativa, situação que se agravou no segundo semestre. Em determinado momento, chegou a ser suspenso o tratamento de pacientes oncológicos, o que só foi revertido após mediação da ANS e decisões judiciais.
Transferência de gestão sem diálogo
Em novembro, entendendo a incapacidade da Ferj de gerir sua carteira, a ANS intermediou a transferência da administração dos usuários para a Unimed do Brasil. A entidade nacional comprometeu-se a realizar os pagamentos a fornecedores a partir daquela data, mas, segundo os hospitais, o movimento ocorreu sem qualquer discussão prévia com a rede assistencial.
Desde que a nova gestora assumiu, as unidades alegam que não receberam comunicação sobre o cronograma de quitação das contas em aberto nem esclarecimentos sobre a inexistência de ativo garantidor. Diante do silêncio, parte dos consumidores voltou a enfrentar barreiras de acesso, novamente solucionadas apenas por ordens da Justiça.
Hospitais falam em prejuízo histórico
A rede hospitalar estima que o passivo total devido pela Unimed Ferj alcance aproximadamente R$ 2 bilhões. Dirigentes afirmam que a falta de repasses compromete investimentos, pagamento de equipes e aquisição de insumos, criando um cenário de risco para a continuidade dos serviços.
Os representantes defendem que a liquidação, com a presença de um interventor independente, seria a única forma de organizar os pagamentos e proteger os usuários. Até o fim da tarde, a assembleia deverá divulgar posição oficial e eventuais prazos para a adoção das medidas.






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