Homem é preso por manter companheira em cárcere privado por três anos em Piraí

Vítima, uma advogada de 48 anos, sofreu violência física, psicológica e prejuízo financeiro superior a R$ 20 mil; suspeito já tinha antecedentes

Um homem de 54 anos foi preso na manhã desta segunda-feira (29) acusado de manter a companheira em condições análogas a cárcere privado por cerca de três anos, no bairro Toca do Lobo, em Piraí, no Sul Fluminense. A vítima, uma advogada de 48 anos, vivia sob constantes ameaças, agressões e controle financeiro, segundo a Polícia Civil.

Prisão ocorreu após pedido de socorro da vítima

De acordo com a 94ª Delegacia de Polícia (Piraí), a prisão foi resultado de uma ação conjunta entre policiais civis e equipes da Patrulha Maria da Penha. A operação foi deflagrada após a vítima conseguir entrar em contato com a polícia em um momento de descuido do agressor.

Quando as equipes chegaram ao local, o casal estava no quintal da residência. A mulher pediu socorro e foi imediatamente retirada do imóvel. Os policiais constataram diversas marcas de agressão pelo corpo da vítima, compatíveis com o relato apresentado.

Ameaças, agressões e controle total da rotina

Em depoimento, a mulher afirmou que, desde outubro, era impedida de sair de casa sozinha. Sempre que precisava ir a locais essenciais, como mercado, farmácia ou banco, era acompanhada pelo companheiro, que controlava seus deslocamentos e decisões.

Segundo a polícia, além das agressões físicas, o suspeito utilizava ameaças constantes para impedir qualquer tentativa de denúncia, submetendo a vítima a um ambiente de violência psicológica contínua.

“O que apuramos vai além de um conflito doméstico. Trata-se de um quadro grave de violência física, psicológica e patrimonial, com restrição de liberdade”, afirmou o delegado Antonio Furtado, titular da 94ª DP.

Prejuízo financeiro ultrapassa R$ 20 mil

As investigações apontaram que o agressor também controlava as finanças da vítima. Ele teria instalado o aplicativo bancário da mulher em seu próprio celular, realizando movimentações financeiras sem consentimento.

Além disso, a advogada foi obrigada a penhorar joias da família, o que gerou um prejuízo superior a R$ 20 mil, segundo a Polícia Civil.

Suspeito já tinha antecedentes criminais

O homem já havia sido preso em 2023 por lesão corporal contra a mesma vítima e por ameaçá-la com uma faca. Ele também possui registros anteriores por ameaça, injúria e porte de drogas, datados de 2012.

Diante dos fatos, o suspeito foi autuado em flagrante pelos crimes de cárcere privado, perseguição e violência psicológica, cujas penas somadas podem chegar a até 10 anos de prisão. Ele também vai responder por extorsão, apropriação indébita de um veículo e desvio de dinheiro da conta bancária da vítima.

Após a prisão, o homem foi transferido para a Cadeia Pública de Volta Redonda, onde permanecerá à disposição da Justiça e passará por audiência de custódia.

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