Um crime brutal que chocou São Gonçalo teve seu desfecho nesta quinta-feira (28), quando o Tribunal do Júri condenou Marlon Nascimento a 25 anos de prisão pelo assassinato da passista trans Amanda de Souza Soares, conhecida artisticamente como Mandy Gin Drag. O homicídio, ocorrido em fevereiro de 2024, foi considerado quadruplamente qualificado — por motivo torpe, meio cruel, traição e feminicídio.
Segundo a investigação, Marlon atraiu Amanda até um terreno baldio ao lado da casa dela, no bairro Jardim Nova República, após enviar diversas mensagens pelas redes sociais. Os dois mantinham um relacionamento que o acusado temia ver revelado. No local, ele a golpeou brutalmente com uma faca, ceifando a vida de uma artista que era referência no carnaval gonçalense e ativista da comunidade trans.

Durante a sentença, a juíza Juliana Bessa Ferraz Krykhtine destacou a frieza do réu, que tentou manipular a cena do crime criando um falso álibi e até chegou a consolar amigos da vítima. “Sua conduta demonstra o desprezo à vida da vítima, bem como sua intenção de confundir as investigações”, escreveu a magistrada.
Amanda era reconhecida pela energia nos desfiles da Acadêmicos do Cubango, onde desfilava como passista desde a adolescência. Além do samba, tinha paixão pela música sertaneja e se apresentava em festas interpretando grandes sucessos. Nas redes, se identificava como mulher trans, drag queen e ativista da causa LGBTQIA+.
O caso reacende o alerta para a escalada de violência contra pessoas trans no estado do Rio de Janeiro. De acordo com levantamento da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), somente em 2024 foram registrados 10 assassinatos de pessoas trans no estado, a maioria mulheres trans e travestis.






Deixe um comentário