Hamas se diz ‘otimista’ e troca listas de reféns e prisioneiros com Israel em meio a negociações por cessar-fogo

Encontro mediado por Catar, Egito e Estados Unidos busca encerrar conflito que completou dois anos na terça-feira (7) e deixou Gaza à beira do colapso

No terceiro dia de negociações no Egito, o grupo militante palestino Hamas anunciou nesta quarta-feira (8) que trocou com Israel “as listas de prisioneiros cuja libertação foi solicitada”, além da relação de reféns mantidos em cativeiro. A troca faz parte do acordo de cessar-fogo que vem sendo negociado no país árabe, sob mediação internacional.

As delegações de Israel e do Hamas continuam reunidas no Cairo desde a última segunda-feira (6), em tratativas que buscam encerrar o conflito na Faixa de Gaza, que completou dois anos nesta semana. De acordo com fontes palestinas, a etapa atual das conversas é considerada sensível, pois envolve a definição dos mecanismos de implementação de um cessar-fogo e a libertação simultânea de reféns e prisioneiros.

Plano de paz com apoio internacional

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, apresentaram recentemente um plano de paz com 20 pontos centrais para garantir o fim das hostilidades. A proposta, também discutida nas reuniões no Egito, prevê o desarmamento do Hamas, a troca humanitária de reféns e prisioneiros e a retirada progressiva das forças israelenses da Faixa de Gaza.

Em comunicado oficial, a delegação do Hamas declarou que “apresentou uma posição positiva e responsável para alcançar o progresso necessário e concluir um acordo”. O grupo também afirmou que os mediadores — representando Egito, Catar e Estados Unidos — estão trabalhando de forma coordenada para remover “quaisquer obstáculos às etapas de implementação do cessar-fogo”.

Segundo o Hamas, “um espírito de otimismo prevalece entre todos”, e as negociações têm se concentrado “nos mecanismos para implementar o fim da guerra, a retirada das forças de ocupação da Faixa de Gaza e a troca de prisioneiros”.

Listas trocadas e critérios definidos

A troca das listas de reféns e prisioneiros foi feita, segundo o Hamas, de acordo com critérios e números previamente acordados entre as partes, o que sinaliza avanço no diálogo mediado. A medida é vista como um dos passos mais concretos até o momento desde o início das conversas no Cairo.

Fontes ligadas à mediação afirmam que as listas incluem civis e militares detidos por ambos os lados, e que a implementação do acordo deve ocorrer em fases, dependendo da verificação dos nomes e da segurança das rotas de libertação.

Expectativa por cessar-fogo duradouro

O conflito entre Israel e o Hamas começou em 7 de outubro de 2023, após o ataque do grupo palestino ao território israelense, que resultou em cerca de 1.200 mortos, 250 sequestrados e provocou uma ofensiva militar de larga escala em Gaza que já matou cerca de 67 mil pessoas. Dois anos depois, a comunidade internacional intensificou os esforços diplomáticos para pôr fim ao conflito — que muitos líderes mundiais e órgãos internacionais têm classificado como genocídio — e viabilizar ajuda humanitária à população civil da região.

O Egito, que tem desempenhado papel central nas mediações desde o início da retaliação israelense, abriga nesta semana uma nova rodada de encontros multilaterais. Além das delegações israelense e palestina, também participam representantes dos governos do Catar e dos Estados Unidos, que tentam construir um acordo definitivo para o cessar-fogo e a reconstrução de Gaza.

Apesar do clima de cautela, mediadores afirmam que o intercâmbio de listas e a linguagem positiva dos comunicados públicos das partes indicam uma “janela real de oportunidade” para que o conflito caminhe para um desfecho diplomático inédito desde 2023.

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