O pré-candidato do PT ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad, aproveitou um evento realizado neste sábado para enviar um recado indireto ao grupo político do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Ao comentar as negociações para a escolha de seu companheiro de chapa nas eleições deste ano, o petista destacou a trajetória e a reputação dos nomes cotados para ocupar a vice, em uma declaração interpretada como uma alfinetada ao atual vice-governador, Felício Ramuth (MDB).
Sem citar diretamente Ramuth, Haddad ressaltou que está dialogando com lideranças de ampla experiência política e administrativa e afirmou que todos os possíveis integrantes de sua chapa possuem histórico público sem questionamentos éticos.
“Você não tem problema quando você está com gente qualificada, como eu estou nesse momento. Estou cercado de três ex-ministros altamente qualificados, com serviços prestados ao país e que têm uma reputação ética totalmente ilibada. Ninguém aqui tem dinheiro em offshore, em paraíso fiscal. Todo mundo aqui é servidor público, que acredita no Brasil”, disse Haddad durante agenda em São Paulo.
A fala ocorreu durante o lançamento de uma plataforma destinada a recolher sugestões para a elaboração do programa de governo do petista.
Referência a investigação
A declaração de Haddad ocorre meses após a divulgação de informações sobre uma investigação envolvendo Felício Ramuth e sua esposa. Em fevereiro, o Metrópoles noticiou que o vice-governador é investigado por suposta lavagem de dinheiro relacionada a movimentações de US$ 1,6 milhão em Andorra, pequeno principado localizado entre França e Espanha e que, durante anos, foi considerado um paraíso fiscal devido à sua baixa tributação.
Ramuth nega qualquer irregularidade. Segundo sua versão, a origem dos recursos foi comprovada perante a Justiça de Andorra e toda a movimentação financeira foi declarada às autoridades fiscais brasileiras.
Apesar da investigação, o emedebista permanece como vice na chapa liderada por Tarcísio de Freitas, que buscará a reeleição ao Palácio dos Bandeirantes.
Disputa pela vice
Embora os bastidores políticos estejam movimentados em torno da definição da chapa petista, Haddad afirmou que não pretende acelerar o processo de escolha de seu vice.
Entre os nomes considerados mais fortes para a composição estão a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, a ministra do Planejamento, Simone Tebet, e o ex-ministro Márcio França. Além de serem cotados para a vaga de vice-governador, os três também aparecem como opções para disputar as duas cadeiras ao Senado que estarão em jogo por São Paulo.
Ao ser questionado sobre a definição da chapa, Haddad demonstrou tranquilidade e disse que as conversas seguem em andamento.
“Não tenho tanta pressa. Estou só conversando com as pessoas (…) Essas coisas vão se encaminhar com a naturalidade que o assunto exige. Sem açodamento. Está todo mundo integrado”, afirmou.






Deixe um comentário