A campanha de Fernando Haddad ao governo de São Paulo vai intensificar nos próximos meses uma estratégia que pode definir o resultado das eleições de outubro: a conquista do eleitorado de centro através da aproximação com o PSD de Gilberto Kassab. Embora o presidente do partido tenha declarado publicamente que seu aval à reeleição de Tarcísio de Freitas está garantido, a cúpula petista acredita que a relação entre Kassab e o governador republicano está estremecida o suficiente para ser explorada politicamente.
A aposta de Haddad e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva divide-se em duas frentes. Primeiro, a avaliação de que Kassab mantém ressentimentos não declarados contra Tarcísio após ser afastado da máquina estadual. Ex-secretário de Governo e homem forte da administração até março deste ano, Kassab viu sepultado seu projeto de ser candidato a vice na chapa do governador, com o objetivo de construir uma candidatura própria ao Palácio dos Bandeirantes em 2030. A saída do cargo ocorreu após o vice-governador Felício Ramuth articular sua permanência na chapa, trocando o PSD pelo MDB do prefeito Ricardo Nunes.
A segunda frente envolve a composição da chapa petista. O deputado Jilmar Tatto, vice-presidente do PT e coordenador da campanha, defende abertamente a escolha de Alda Marco Antônio como vice de Haddad. Aos 81 anos, a engenheira preside o PSD Mulher e é considerada uma das aliadas mais fiéis de Kassab. Foi vice-prefeita de São Paulo durante a gestão do hoje presidente do PSD, entre 2009 e 2012, e representaria uma ponte direta entre o PT e o eleitorado de centro que o partido necessita atrair.
Fiel da balança
No diagnóstico da campanha, o PSD tem potencial para ser o fiel da balança tanto na eleição paulista quanto em um eventual segundo turno presidencial. Dirigentes petistas avaliam que Kassab e o ex-presidente Jair Bolsonaro não mantêm relação amistosa, o que dificultaria uma adesão do PSD a uma candidatura de Flávio Bolsonaro caso o senador fluminense se torne o principal adversário de Lula em 2026. Antes da confirmação de Geraldo Alckmin como vice, o próprio Kassab chegou a ser sondado pelo Palácio do Planalto para ocupar a posição.
A estratégia de centro, no entanto, enfrenta obstáculos concretos. Tarcísio chamou Rodrigo Garcia, antecessor no governo e desafeto histórico de Kassab, para coordenar sua nova plataforma de governo. O ex-tucano se filiou ao Republicanos no mês passado, reforçando o arco de alianças do atual governador. Além disso, o PSD ficou fora da chapa ao Senado na composição encabeçada por Tarcísio, o que gerou frustração adicional entre os aliados de Kassab.
Em busca do centro
Para Haddad, a equação é complexa mas necessária. Sem conquistar parcela significativa do eleitorado que hoje se divide entre candidaturas de centro, a reeleição de Tarcísio se torna matematicamente provável. A campanha petista trabalha com a hipótese de que Kassab segue a máxima atribuída a Ulysses Guimarães: guarda o ódio na geladeira, aguardando o momento adequado para movimentar suas peças no tabuleiro político paulista.
O cenário nacional também pesa nas contas do PT. O pré-candidato presidencial do PSD, Ronaldo Caiado, aparece com 5% das intenções de voto na mais recente pesquisa Datafolha. A avaliação no Planalto é que o governador de Goiás pode desistir da disputa caso não consiga elevar seus números nos próximos dois meses, o que liberaria o PSD para negociações mais amplas em ambos os palanques.






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