A Polícia Federal prendeu Walter Delgatti Neto, conhecido como hacker da Vaza Jato. Delgatti utilizou o perfil de um consultor contratado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) para invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). As informações foram reveladas durante uma investigação da PF e enviadas ao Supremo Tribunal Federal (STF).
A invasão aos sistemas do CNJ e a inserção de documentos e alvarás de soltura falsos no Banco Nacional de Mandados de Prisão resultaram em sua prisão, bem como na realização de busca e apreensão nos endereços da deputada federal Carla Zambelli (PL), por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Em seu depoimento, Delgatti afirmou que invadiu o sistema do CNJ com o objetivo de evidenciar fragilidades na segurança do órgão.
Para acessar o sistema, no dia 4 de janeiro, Delgatti violou a credencial de Elenilson Pedro Chiarapa, especialista em tecnologia da informação. O servidor é contratado pelo Pnud desde 2020 e trabalha remotamente na equipe técnica de uma série de publicações conjuntas do CNJ e do organismo da ONU, segundo o site Metrópoles. Como a credencial de Chiarapa tinha classificação de “administrador”, Delgatti conseguiu entrar no Sistema de Controle de Acessos (SCA) do CNJ. Lá, ele criou uma credencial falsa com privilégios de magistrados.
O plano inicial, segundo o relato do hacker, teria sido concebido em um encontro com Zambelli em setembro de 2022, em um posto de combustíveis na rodovia Bandeirantes, em São Paulo. A ideia era invadir urnas ou sistemas da Justiça Eleitoral para expor falhas na segurança. Delgatti tentou acessar o código-fonte da urna eletrônica, mas não obteve êxito, pois estava hospedado em um computador offline.
Em caso de insucesso, o hacker planejava obter conversas privadas do celular de Moraes, tentando acessá-las através de um funcionário de uma operadora de telefone móvel, o que também não deu certo. O relatório da Polícia Federal revelou que assessores de Carla Zambelli fizeram pagamentos ao hacker no valor de R$ 13.500 via Pix. Em razão disso, houve a quebra de sigilo bancário de todos os envolvidos no caso.
Este é o terceiro episódio em que Walter Delgatti Neto é preso pela Polícia Federal. As duas prisões anteriores ocorreram em 2019, durante a Operação Spoofing. Ele foi libertado em 2020, porém, ao descumprir medidas judiciais ao afirmar que cuidava das redes sociais de Carla Zambelli — o que era proibido –, acabou sendo preso novamente em junho de 2023 e estava sob uso de tornozeleira eletrônica desde 10 de julho por decisão judicial.
Além da prisão do hacker, a operação determinou a apreensão de armas, munições, passaportes, dispositivos eletrônicos, veículos eventualmente encontrados nos endereços de busca, bem como dinheiro e bens, como joias, obras de arte e outros objetos com valores acima de R$ 10 mil, desde que não comprovada cabalmente sua origem lícita. Os crimes investigados incluem invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica. A deputada federal Carla Zambelli nega qualquer envolvimento em crimes e declara-se disposta a cooperar com as autoridades.
Com informações do 247.





