Guido Mantega desiste de cargo no Conselho Fiscal da Eletrobras

Decisão do ex-ministro ocorre dias antes de assembleia que pode reforçar influência do governo na estatal

O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega comunicou sua desistência de assumir uma cadeira no Conselho Fiscal da Eletrobras, menos de um mês após sua indicação. A informação foi divulgada inicialmente pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo, e confirmada pelo Ministério de Minas e Energia (MME), que notificou oficialmente a empresa sobre a substituição na terça-feira (22).

Segundo relatos de aliados, a decisão de Mantega foi pessoal. Ele teria comunicado que preferia não ocupar o cargo, embora não tenham sido divulgadas publicamente as razões que motivaram a recusa.

A desistência ocorre em um momento estratégico. No próximo dia 29, a Eletrobras realiza uma assembleia geral que analisará os novos indicados aos conselhos da empresa e votará um acordo de conciliação proposto pelo governo federal. O plano do governo, articulado por meio do MME, visa aumentar o poder de voto da União na companhia, refletindo de forma mais proporcional sua atual participação acionária.

A proposta de conciliação com a Eletrobras é parte dos esforços do governo Luiz Inácio Lula da Silva para retomar maior influência na empresa, que perdeu cadeiras nos conselhos de Administração e Fiscal após a privatização conduzida no governo anterior. Com o novo acordo, a União poderá recuperar duas cadeiras no Conselho de Administração e uma no Conselho Fiscal — a mesma que seria ocupada por Mantega.

A desistência do ex-ministro abre espaço para uma nova indicação em meio às negociações políticas e jurídicas sobre o controle da Eletrobras, considerada estratégica para o setor elétrico nacional.

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