O vídeo em que Michelle Bolsonaro relata ter sido humilhada e desrespeitada por Flávio Bolsonaro passou a preocupar aliados do senador e integrantes da cúpula do PL. Nos bastidores, a avaliação é que a exposição pública do conflito pode provocar desgaste justamente em um dos segmentos considerados estratégicos para a campanha presidencial de 2026: o eleitorado feminino, especialmente entre mulheres evangélicas e lideranças do PL Mulher.
Embora dirigentes da legenda procurem minimizar o episódio publicamente, interlocutores da pré-campanha admitem que a repercussão da crise cria um obstáculo adicional para Flávio, que busca ampliar sua aceitação entre as mulheres.
Preocupação com o eleitorado feminino
Segundo aliados, Michelle consolidou um patrimônio político próprio ao comandar o PL Mulher desde 2023, formando uma rede nacional de lideranças e fortalecendo a presença feminina na legenda.
Nos bastidores, integrantes da campanha reconhecem que ela era considerada peça importante para reduzir a resistência de parte do eleitorado feminino ao nome de Flávio Bolsonaro.
Um aliado resumiu a preocupação afirmando que o episódio atinge um público que o senador “não podia perder de jeito nenhum”.
PL tenta reduzir desgaste
Apesar da repercussão, lideranças do partido evitam tratar o caso como uma crise sem solução.
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, afirmou confiar que a legenda conseguirá superar o episódio. “Não é normal que assuntos internos sejam expostos em redes sociais. Mas tenho plena confiança que o partido saberá conduzir com equilíbrio os próximos passos.”
Já o líder do PL no Senado, Carlos Portinho, defendeu que as divergências sejam superadas em nome da unidade do campo político.
“Só venceremos unidos. Há um apelo por unidade. Que se lave a roupa suja, mas quando chegar o período eleitoral, que se deixe de lado por gestos recíprocos.”
Críticas à exposição pública
O deputado federal Zé Trovão também avaliou que a divulgação do vídeo trouxe prejuízos para a imagem da pré-campanha.
Segundo ele, o relato de Michelle pode provocar resistência entre mulheres justamente por atribuir a Flávio um comportamento ríspido durante a conversa telefônica.
“Isso é prejudicial, é ruim, mancha uma imagem.”
O parlamentar afirmou ainda que a disputa deveria permanecer restrita ao ambiente familiar e classificou a exposição pública do conflito como um erro de ambas as partes.
Bolsonaro no centro da crise
Outro ponto que preocupa aliados é a situação de Jair Bolsonaro. Interlocutores da campanha avaliam que o ex-presidente ficou em uma posição delicada ao ver o conflito envolver sua esposa e o filho escolhido para disputar a Presidência.
Nos bastidores, cresce a percepção de que Bolsonaro poderá ser pressionado a atuar como mediador caso o impasse continue alimentando novos episódios públicos.
Damares sai em defesa de Michelle
Nem todos os aliados, porém, avaliaram negativamente a divulgação do vídeo. A senadora Damares Alves elogiou a postura da ex-primeira-dama e afirmou que ela apenas decidiu tornar público um problema que, segundo a parlamentar, permaneceu sem solução durante meses.
“Ela foi verdadeira, firme, serena e esclareceu tudo. Esperou meses tudo ser resolvido e não deram nenhum passo em direção a ela. Mas acho que agora é possível um diálogo.”
Origem do conflito
A crise teve início após Michelle criticar a articulação do PL com o ex-ministro Ciro Gomes no Ceará. Segundo a ex-primeira-dama, Flávio Bolsonaro publicou críticas contra ela nas redes sociais antes de procurá-la para conversar.
No vídeo divulgado nesta quarta-feira, Michelle afirmou que, quando os dois finalmente falaram por telefone, foi tratada de forma desrespeitosa.
“Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou no telefone.”
Ela também disse que continua apoiando a candidatura do enteado, mas admitiu que nunca mais voltou a procurá-lo desde o episódio.






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