Em meio à intensificação dos confrontos no Oriente Médio, uma comitiva de autoridades brasileiras começou a deixar Israel nesta segunda-feira (17), cruzando a fronteira terrestre com a Jordânia em uma operação discreta e monitorada de perto pelas autoridades brasileiras. O grupo é composto por prefeitos, vice-prefeitos, secretários municipais e estaduais, além de representantes do Consórcio Brasil Central. Segundo o senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente do Grupo Parlamentar Brasil-Israel, 12 pessoas integraram essa etapa da retirada — uma delas teria desistido da travessia por temer bombardeios no trajeto.
De acordo com informações confirmadas pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), o deslocamento foi feito por ônibus, com chegada em segurança ao território jordaniano ainda na manhã desta segunda-feira, no horário de Brasília. O nome dos integrantes não foi divulgado por razões de segurança. Viana também informou que, dentro desse grupo, ao menos nove brasileiros seguirão viagem para a Arábia Saudita, embora o itinerário não tenha sido divulgado.
O parlamentar alertou ainda para uma preocupação crescente com cidadãos brasileiros que estão em Israel como turistas. Segundo ele, o grupo parlamentar Brasil-Israel solicitou à embaixada local um levantamento do número de brasileiros com visto de turismo, para avaliar a necessidade de uma eventual operação de resgate com o apoio da Força Aérea Brasileira (FAB).
Até o momento, ao menos 47 representantes públicos brasileiros permanecem em território israelense. A retirada dos demais dependerá da evolução do cenário militar na região, conforme destacou Viana. “O ritmo da retirada vai depender da escalada das tensões”, afirmou o senador.
Na última sexta-feira (13), a Comissão de Relações Exteriores do Senado, presidida pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS), concluiu um levantamento detalhado com os nomes de todas as autoridades brasileiras que estão na zona de conflito. A comissão também solicitou o apoio da FAB para viabilizar o retorno em segurança dessas pessoas ao Brasil.
A lista inclui representantes de diversas regiões do país. Estão entre os nomes prefeitos como Álvaro Damião Vieira da Paz (Belo Horizonte), Cícero de Lucena Filho (João Pessoa), Welberth Porto de Rezende (Macaé) e Johnny Maycon (Nova Friburgo), além de vice-prefeitos e secretários municipais de capitais como Niterói, Porto Alegre, Natal, São Luís e Belo Horizonte.
Também integram a comitiva autoridades estaduais do Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Rondônia e membros do Consórcio Brasil Central. O governador de Rondônia, Marcos Rocha, está entre os listados. A delegação conta ainda com representantes da área de segurança pública, ciência e tecnologia, planejamento e agricultura.
Além dos riscos imediatos provocados pela escalada militar, a preocupação do governo brasileiro é garantir uma evacuação segura, respeitando a logística e a segurança das rotas. O Itamaraty, por ora, mantém interlocução com os governos de Israel, da Jordânia e de países vizinhos, enquanto acompanha a situação de brasileiros em áreas de conflito e articula medidas emergenciais.
A expectativa é de que novas etapas de retirada ocorram nos próximos dias, dependendo do desenrolar da crise e da viabilidade de deslocamentos terrestres e aéreos. Enquanto isso, cresce a pressão sobre as autoridades brasileiras para ampliar o apoio logístico e diplomático, especialmente caso a situação se agrave nos próximos dias.
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