Greve na Uerj chega a um mês e estudantes temem prejuízo no semestre

Paralisação envolve docentes e técnicos. categorias cobram recomposição salarial e reforço no orçamento

A paralisação de professores e funcionários da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) completou um mês sem acordo, ampliando a preocupação de estudantes com a possibilidade de atraso ou até perda do semestre letivo.

A mobilização começou no dia 25 de março, inicialmente com a adesão dos docentes. Embora o curso de Direito mantenha as aulas normalmente, as demais atividades seguem comprometidas.

Pouco mais de duas semanas depois do início, em 9 de abril, os servidores técnico-administrativos também decidiram interromper as atividades, ampliando a paralisação.

“Nós estamos há mais de 10 anos sem reajuste. Tivemos auxílio saúde retirados pela reitoria que na sua campanha eleitoral, dizia que eles entrariam em contracheque. E diziam ser totalmente a favor das bolsas de permanência para os alunos e na primeira oportunidade cortou as bolsas dos alunos, em plenas de férias. Nós servidores técnicos e docentes estamos cada vez mais adoecidos”, escreveu um dos servidores nas redes sociais.

“Após um mês de greve docente, já há discussão sobre a suspensão do calendário acadêmico? A maioria dos cursos está sem aulas desde o início da paralisação, enquanto poucos ainda mantêm atividades”, questionou um dos alunos.

Entenda o problema

Segundo a Associação dos Docentes da Uerj (Asduerj), a pauta inclui a recomposição salarial referente às perdas inflacionárias acumuladas, calculadas em 26,35%, o retorno do pagamento dos triênios para todos os servidores e a recomposição do orçamento da universidade para garantir o fechamento do exercício fiscal. Também está entre as reivindicações o fortalecimento das políticas de permanência e assistência estudantil.

No dia 16 de abril, representantes das categorias participaram de uma reunião com a reitoria e com o governador em exercício, Ricardo Couto. Conforme informado pela universidade, o governador demonstrou abertura ao diálogo, mas indicou que aguarda o julgamento, no Supremo Tribunal Federal (STF), da Ação Direta de Inconstitucionalidade 4917, marcado para 6 de maio. A ação trata da redistribuição dos royalties do petróleo e pode alterar as receitas do estado.

“Novamente, o chefe do executivo afirmou que é sensível às questões da Uerj e busca construir, em conjunto com a gestão, entidades sindicais e comando de greve, soluções para as demandas da Universidade, como as perdas salariais dos servidores. Informou ainda que aguarda o julgamento no STF, previsto para o dia 6 de maio, da ADI 4917, que pode redistribuir os royalties do petróleo, matéria que afeta diretamente as receitas do estado”, escreveu a universidade.

Assembleia é marcada

Uma assembleia extraordinária dos técnico-administrativos está prevista para esta terça-feira (28), no auditório da instituição. Já um novo encontro entre o reitor e a comissão de greve foi agendado para 4 de maio.

Entre os pontos que devem ser discutidos está o reajuste do auxílio-refeição, atualmente fixado em R$ 1,5 mil.

Nota da Uerj

A Reitoria da Uerj segue na expectativa de avançar, junto ao Governo do estado, em soluções para as demandas dos servidores docentes, técnicos e de custeio da própria Universidade.

A próxima reunião com o governador Ricardo Couto de Castro foi agendada para o dia 4 de maio, para tratar da viabilidade da majoração do auxílio alimentação dos servidores.

Para tratar do pagamento das parcelas atrasadas da recomposição salarial, conforme definido na Lei nº 9.436/2021, o governador informou que aguarda o julgamento no STF, previsto para o dia 6 de maio, da ação que pode redistribuir os royalties do petróleo, matéria que afeta diretamente as receitas do estado.

A greve na Uerj tem impactado a maior parte das atividades da Universidade, entretanto, está garantido o funcionamento dos serviços essenciais
“.

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