A greve dos petroleiros ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (29). Segundo o Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (SindPetro-NF), a Petrobras sinalizou que manterá o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) e as cartas-compromisso caso a proposta apresentada aos trabalhadores do Norte Fluminense seja aprovada nesta terça-feira (30). A informação foi enviada pela companhia em resposta à Federação Única dos Petroleiros (FUP), que atua para encerrar a paralisação na região.
A FUP e o Sindipetro-NF têm intensificado as negociações diretamente com a Petrobras e a Transpetro para evitar que o impasse avance para o Dissídio Coletivo de Greve, cujas audiências no Tribunal Superior do Trabalho (TST) estão marcadas para os dias 2 e 6 de janeiro, em Brasília. As entidades cobraram a prorrogação, até 31 de dezembro de 2025, do compromisso de não punição aos grevistas e da forma de compensação dos dias parados, nos mesmos termos acordados com outros sindicatos da federação.
Cobrança por garantias e isonomia
Entre as exigências apresentadas pela FUP no movimento nacional, estão o compromisso formal da Petrobras de não descontar os dias parados durante a greve dos petroleiros, a garantia de isonomia entre os trabalhadores dos terminais de Coari e Urucu, no Amazonas, e a manutenção da hospedagem para empregados que atuam em regime offshore. Até o momento, segundo os sindicatos, a estatal não apresentou resposta a esses pontos adicionais.
Outro tema considerado central pelas entidades é a situação da Petros, o fundo de pensão dos trabalhadores do sistema Petrobras. Os sindicatos cobram que a empresa apresente uma carta-compromisso voltada à solução dos Planos de Equacionamento dos Déficits (PEDs), que impactam diretamente aposentados e pensionistas.
Críticas aos índices econômicos da proposta
A Federação Nacional dos Petroleiros e o Sindpetro-NF classificaram os números apresentados pela Petrobras como insuficientes, especialmente diante do desempenho financeiro recente da companhia. Para as entidades, os valores oferecidos não refletem a lucratividade recorde da empresa nem o volume de dividendos distribuídos aos acionistas.
De acordo com os sindicatos, a proposta mantém a vigência de dois anos para o ACT, com ganho real de apenas 0,5% na Remuneração Mínima por Nível e Regime (RMNR) nos anos de 2025 e 2026. Além disso, a estatal ofereceu um abono equivalente a 1,6 remuneração, com pagamento parcelado para março e setembro de 2026.
Posição da Petrobras
Em nota divulgada na noite de domingo, a Petrobras informou que promoveu ajustes em sua proposta de Acordo Coletivo de Trabalho, afirmando que o texto atualizado “contempla avanços nos principais pleitos sindicais”. No entanto, a companhia não detalhou quais pontos foram modificados nem respondeu especificamente às cobranças adicionais feitas pelas entidades representativas.






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