Petroleiros do Norte Fluminense mantêm greve nacional; veja o que trava acordo com Petrobras

Decisão foi tomada em assembleia nesta sexta-feira (26) em Campos dos Goytacazes; movimento chega ao 13º dia com foco em demandas de trabalhadores offshore e no Terminal de Cabiúnas

Os petroleiros da Bacia de Campos decidiram manter a greve nacional após uma assembleia extraordinária realizada na manhã desta sexta-feira (26), em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense. O movimento, que já chega ao seu 13º dia, continua mesmo após a Petrobras apresentar uma nova proposta com ajustes no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) e avanços em pontos reivindicados pela categoria nas últimas semanas.​

A decisão de continuar a paralisação ocorreu um dia depois de a estatal encaminhar três cartas de compromisso ao Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF). Nos documentos, a companhia buscava encerrar o impasse oferecendo ajustes em pontos sensíveis e melhorias em cláusulas sociais. No entanto, os trabalhadores votaram pela rejeição dos termos, alegando que o texto atual ainda não resolve gargalos históricos do setor.​

Impasse nas plataformas e no regime offshore​

O coordenador do Sindipetro-NF, Sérgio Borges, explicou que a proposta da Petrobras ainda falha em pontos cruciais para quem trabalha embarcado (offshore). Além disso, há dúvidas sobre o texto de pautas voltadas ao regime onshore, com foco principal nas operações do Terminal de Cabiúnas. Segundo o sindicato, se houver avanço nesses dois pilares específicos, o movimento pode caminhar para um desfecho positivo nas próximas rodadas.​

O rito agora envolve a notificação oficial à Petrobras sobre o resultado da assembleia em Campos. Na sequência, o sindicato pretende provocar a empresa para retomar a mesa de negociação. De acordo com a liderança sindical, a estatal tem dois caminhos: seguir com as conversas para tentar um consenso ou optar pela via judicial para tentar encerrar a greve por meio de tribunais trabalhistas.​

O que diz a Petrobras​

Em nota oficial, a Petrobras reafirmou que apresentou ajustes significativos e que segue aberta ao diálogo com os trabalhadores. A companhia destacou um cenário de divisão entre as representações sindicais: enquanto o Norte Fluminense mantém a paralisação, pelo menos sete bases sindicais em outras regiões do país já aprovaram a proposta e decidiram suspender o movimento grevista.

​A empresa informou que monitora o andamento de outras assembleias pelo Brasil e que respeita o direito de manifestação. A categoria, por sua vez, exige o fim de descontos adicionais nos planos de previdência e a suspensão de mudanças que consideram unilaterais na gestão do trabalho. O cenário para a próxima semana dependerá da disposição da Petrobras em abrir uma nova rodada de diálogo antes de um eventual pedido de dissídio coletivo.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading