Governo tenta evitar greve dos caminhoneiros e articula votação da MP do Frete

AGU e ministros foram acionados após ameaça de paralisação; Planalto busca acordo para votação da MP no Senado

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou as articulações para evitar uma paralisação dos caminhoneiros diante do impasse sobre a votação da Medida Provisória nº 1.343/2026, conhecida como MP do Frete, no Senado Federal.

Segundo informações apuradas pelo governo, a Advocacia-Geral da União (AGU) foi acionada na noite de domingo (12) após a convocação de um movimento de paralisação liderado por representantes da categoria. O objetivo é acompanhar os desdobramentos da mobilização e adotar medidas caso os protestos avancem.

Além da AGU, os ministros das Relações Institucionais, José Guimarães, e da Casa Civil, Miriam Belchior, também foram informados sobre a situação e acompanham as negociações.

Cenário otimista

Apesar da preocupação, integrantes do Palácio do Planalto avaliam que ainda há espaço para um entendimento político que permita a votação da medida provisória antes do fim de sua validade, evitando uma paralisação nacional do transporte de cargas.

A mobilização foi convocada pelo presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ele orientou caminhoneiros a não iniciarem novas viagens e permanecerem parados, principalmente nos portos, até que o Senado vote a proposta.

“Não vamos aceitar que ela caduque. Davi Alcolumbre, você foi avisado. Agora você segura, meu irmão”, afirmou Chorão ao cobrar a inclusão da matéria na pauta do Senado.

A MP do Frete foi editada pelo governo em março, durante negociações com a categoria. O texto reforça os mecanismos de fiscalização do piso mínimo do frete, altera os critérios para o cálculo dos valores pagos aos transportadores — considerando despesas como combustível, manutenção e seguros — e cria um piso salarial nacional de R$ 5 mil para caminhoneiros contratados pelo regime da CLT.

A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados em junho e recebeu uma emenda que prevê anistia às multas aplicadas a caminhoneiros e transportadores envolvidos nos bloqueios de rodovias registrados após as eleições presidenciais de 2022.

Caso a medida provisória não seja votada pelo Senado dentro do prazo, ela perderá a validade, o que tem motivado a pressão da categoria e a mobilização do governo para construir um acordo ainda nesta semana.

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