O governo em exercício do Rio de Janeiro suspendeu a compra de um helicóptero militar Black Hawk destinado à Polícia Militar após identificar indícios de irregularidades no processo de licitação e suspeitas de que a aeronave poderia conter peças usadas.
A aquisição do modelo Sikorsky UH-60L Black Hawk custaria cerca de US$ 12,6 milhões, o equivalente a R$ 70,3 milhões na cotação da época da assinatura do contrato. O objetivo era reforçar operações policiais em áreas consideradas de alto risco no estado.
Um levantamento do g1 apontou que duas empresas ligadas à concorrência teriam conexões com o empresário Fernando Carlos da Silva Telles, conhecido como “Tico-Tico”. Ele apareceu como representante da empresa Flyone no processo licitatório, enquanto a concorrência foi vencida pela Blue Air Táxi Aéreo.
Suspeita de irregularidades
Documentos da Agência Nacional de Aviação Civil mostram que o diretor de operações da Blue Air é Daniel de Sousa Freitas da Silva Telles, sobrinho de Fernando Telles.
O governo passou a desconfiar da negociação após identificar que o valor apresentado pela Blue Air ficou abaixo do preço médio pago pela Força Aérea Brasileira na compra de helicópteros do mesmo modelo. Enquanto a FAB pagou cerca de US$ 20,9 milhões por unidade em 2025, a proposta apresentada ao estado foi de pouco mais de US$ 12,6 milhões.
Outra preocupação envolve o histórico operacional das empresas ligadas ao empresário. O Ministério Público Federal investiga acidentes envolvendo aeronaves da Flyone no Acre, em contratos de transporte de alimentos e medicamentos para povos indígenas.
Processo começou em 2024
O processo de licitação começou em 2024. Segundo o edital, a corporação buscava um helicóptero com maior blindagem para substituir o atual “Caveirão do Ar”, alvo frequente de disparos durante operações em comunidades.
Durante o andamento da concorrência, outras empresas chegaram a questionar possíveis restrições técnicas no edital, alegando direcionamento para um modelo específico de aeronave.
Integrantes do governo em exercício também avaliam que o Black Hawk teria baixa funcionalidade em operações urbanas no Rio devido ao porte da aeronave, que pesa cerca de quatro toneladas e exige maior espaço para pousos e manobras. Há ainda receio sobre impactos provocados pela força das hélices em voos de baixa altitude sobre comunidades.
Em nota, o governo estadual informou que a compra integra um conjunto de contratos sob revisão técnica e jurídica determinada pelo governador em exercício, desembargador Ricardo Couto. Enquanto durar a análise, o processo permanecerá suspenso.





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