Governo Lula quer usar receita das bets para bancar ‘Universidade do Esporte’

Projeto propõe nova instituição como legado da Copa Feminina de 2027

O governo federal enviou ao Congresso Nacional o projeto de lei que cria a Universidade Federal do Esporte, concebida como parte do legado da Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027, que será sediada no Brasil. A proposta prevê uma inovação polêmica na área de financiamento: parte da receita da instituição poderá vir da arrecadação de bets e apostas virtuais, repassadas pelo Ministério do Esporte, segundo informa o colunista Paulo Cappelli, do portal Metrópoles. O modelo também inclui repasses orçamentários tradicionais, convênios e receitas por serviços prestados.

O texto justifica que a nova universidade busca responder a um conjunto histórico de desigualdades estruturais no esporte brasileiro, em especial no futebol feminino. Para o governo, a criação da instituição pretende consolidar políticas públicas voltadas à formação, pesquisa e profissionalização em áreas esportivas estratégicas, com foco na redução de assimetrias de gênero e raça.

Desigualdades no futebol feminino

De acordo com o projeto, o futebol feminino no país segue sendo um ambiente majoritariamente amador e marcado por falta de estrutura profissional. Segundo a proposta enviada ao Congresso, apenas “19,2% das atletas” possuem vínculo profissional e “1,2% tem contrato de formação”, números que revelam a precariedade da carreira para a maioria das jogadoras.

O texto destaca ainda a predominância masculina entre trabalhadores do setor: “45% das pessoas que trabalham com o futebol feminino são homens”. Além disso, aponta relatos de discriminação racial e étnica. Segundo o governo, “41% das pessoas negras e 31% das indígenas” afirmam ter sido vítimas de racismo durante suas atividades no esporte.

Ausência de treinadores negros na elite

O documento também expõe disparidades no comando técnico dos clubes. Embora “57% dos jogadores da elite do futebol brasileiro sejam pretos ou pardos”, o país não teve, em 2023, nenhum treinador negro à frente de equipes da série A e apenas 17% dos auxiliares pertenciam a esse grupo. Para o governo federal, esses indicadores reforçam a necessidade de políticas de formação e de inclusão que possam alterar estruturas cristalizadas ao longo das décadas.

Estrutura prevista e expansão gradual

A nova universidade terá sede em Brasília e previsão de inauguração em 2027. Inicialmente, oferecerá cinco cursos de graduação e cinco programas de pós-graduação lato sensu. O plano de expansão estabelece que a instituição alcance onze cursos de graduação dentro de quatro anos, chegando à capacidade máxima estimada de 3 mil alunos.

O governo afirma que não haverá aumento imediato de despesa de pessoal, e que a implementação dependerá de dotação específica no Orçamento Geral da União. A previsão é de que a universidade funcione de forma gradual, acompanhando a disponibilidade orçamentária e o desenvolvimento dos novos cursos.

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