Governo intensifica cerco a bets ilegais e já bloqueia 32 contas suspeitas com apoio de bancos

Desde outubro de 2024, só podem operar no Brasil bets autorizadas pelo governo. Se instituição financeira notar movimentação irregular, governo precisa ser avisado sobre conta suspeita.

Desde a publicação da portaria em 20 de março deste ano, a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda, recebeu nove notificações relacionadas a contas suspeitas ou com movimentações irregulares. Com base nesses alertas, 32 contas foram bloqueadas até o momento.

Desde outubro de 2024, apenas casas de apostas autorizadas pelo governo estão aptas a operar legalmente no Brasil. Atualmente, existem 159 sites de apostas regularizados, todos com domínio terminado em .bet.br.

Para barrar o funcionamento das plataformas ilegais, o governo tem adotado medidas para bloquear o acesso aos respectivos sites. No entanto, essas operadoras costumam lançar rapidamente novos domínios, alterando apenas alguns caracteres, para escapar das restrições e manter suas atividades.

“É um esforço necessário, mas não suficiente”, afirma Regis Dudena, secretário de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.

Notificação obrigatória

Embora a legislação que regula o setor já impedisse bancos de manterem contas ligadas a casas de apostas não autorizadas, uma nova portaria publicada no mês passado tornou obrigatória a notificação por parte das instituições financeiras sempre que houver suspeita sobre alguma conta, seja de pessoa física ou jurídica.

Com a nova norma, segundo Dudena, bancos e instituições de pagamento deverão intensificar a vigilância sobre operações suspeitas.

“[Uma das frentes de combate às bets ilegais] é fazer com que as instituições de pagamento e as instituições financeiras nos ajudem, cumprindo um dever legal. É importante que elas compartilhem com o Ministério da Fazenda informações sobre quem são esses agentes que estão atuando ilegalmente no setor de apostas”, explicou o secretário.

As notificações devem ser encaminhadas à SPA em até 24 horas após a identificação da suspeita, e precisam incluir os dados do titular da conta, informações detalhadas sobre a transação e eventuais medidas adotadas, como bloqueio ou encerramento da conta.

“A ideia é cercar a ilegalidade por todos os lados para proteger a economia popular”, complementa Dudena.

Além das notificações obrigatórias, a secretaria também realiza simulações em plataformas de apostas ilegais, criando perfis e efetuando depósitos com o objetivo de rastrear as instituições financeiras que estão viabilizando essas transações. Quando identificadas, essas instituições são notificadas oficialmente.

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) também colabora com esse trabalho investigativo, realizando testes e repassando as informações para a SPA. Até agora, cerca de 10 mil casas de apostas ilegais já foram identificadas.

As instituições financeiras e de pagamento que não cumprirem as determinações da portaria podem sofrer penalidades que variam desde advertências até multas que podem chegar a R$ 2 bilhões, além da proibição de participar de licitações públicas.

“Apostar é entretenimento para perder dinheiro”

Dudena reforça que o objetivo da atuação conjunta com os bancos não é penalizar os apostadores, mas sim protegê-los. Ele destaca que ainda há um desconhecimento generalizado sobre a verdadeira natureza das apostas esportivas.

“A aposta é um meio de entretenimento para se perder dinheiro. As pessoas precisam começar a internalizar essa ideia. Você põe o seu dinheiro à disposição e perde esse dinheiro, porque isso é um entretenimento para você”, declarou.

De acordo com estimativas do Banco Central, os brasileiros gastam mensalmente entre R$ 20 e R$ 30 bilhões em apostas online. O dado foi divulgado pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, e pelo secretário-executivo Rogério Lucca, em audiência realizada no Senado no dia 8 de abril, durante a CPI das Apostas Esportivas.

A comissão parlamentar de inquérito foi instaurada no final de 2024 para investigar a “influência dos jogos virtuais de apostas online no orçamento das famílias brasileiras”, além de possíveis vínculos com organizações criminosas e práticas de lavagem de dinheiro.

Arrecadação

O segmento de apostas de quota fixa já gerou aproximadamente R$ 2 bilhões em outorgas para os cofres públicos, conforme informou Regis Dudena.

Cada autorização custa R$ 30 milhões e permite a operação de até três plataformas de apostas. Atualmente, 71 empresas detêm 73 autorizações, resultando em 159 bets em funcionamento no país.

A Receita Federal declarou que os dados sobre a arrecadação tributária ainda estão em fase de consolidação.

Com informações do g1.

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