O governo de Javier Milei só vai analisar o pedido de extradição dos 63 brasileiros envolvidos nos ataques golpistas aos três poderes do 8 de janeiro de 2023 depois de definir sobre quem terá a condição de refugiado concedida pelas autoridades argentinas.
Como informou a coluna de Bela Megale, do Globo, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou a extradição de 63 investigados na operação Lesa Pátria. O ofício do magistrado foi direcionado ao Ministério da Justiça que, em breve, vai encaminhar a demanda ao Itamaraty, pasta responsável por comunicar o pedido de extradição às autoridades argentinas.
A expectativa, porém, é que a posição do governo Milei só seja tomada depois de a Comissão Nacional de Refugiados (Conare) do país vizinho analisar os pedidos de asilo feitos pelos brasileiros foragidos naquele país. Os casos tramitam sob sigilo.
Em junho, o porta-voz da Casa Rosada, Manuel Adorni, disse que os pedidos de asilo estão sendo avaliados individualmente e que a decisão cabe exclusivamente ao Conare.
Já a análise dos pedidos de extradição é responsabilidade dos poderes Executivo e Judiciário, como no Brasil. Entre integrantes do governo Lula, a postura que a gestão de Milei vai adotar diante dos pedidos é uma incógnita. A relação entre os dois presidentes é marcada por atritos.
Milei já repostou em redes sociais e publicações que haveria uma ditadura no Brasil. Em julho, ao invés de participar da cúpula do Mercosul, no Paraguai, o argentino veio ao Brasil para um evento conservador com Jair Bolsonaro, seu aliado.
Depois disso, houve gestos entre os dois governos. Em agosto, o Brasil assumiu a embaixada da Argentina na Venezuela, após o presidente Nicolás Maduro expulsar o corpo diplomático de Milei.
O argentino fez um agradecimento ao governo brasileiro. Recentemente, Milei enviou uma carta a Lula, confirmando que vai participar da cúpula do G20, realizada no Brasil, em novembro.





