Governo compra um milhão de toneladas de arroz porque Bolsonaro zerou estoque; entenda

O esgotamento das reservas públicas de arroz foi oficializado em dezembro de 2022, durante o último mês da gestão do ex-presidente

Na última quarta-feira (8), o governo Lula autorizou a aquisição de 1 milhão de toneladas de arroz em resposta aos danos enfrentados pelos produtores do Rio Grande do Sul, impactados pelas recentes enchentes que assolaram o estado.

Esta medida emergencial foi necessária devido à ausência de estoques suficientes de grãos armazenados para situações de crise, um cenário que se agrava pela política adotada pela gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que zerou os estoques até o ano de 2022, impossibilitando qualquer reabastecimento durante o período de 2023 e início de 2024.

O esgotamento das reservas públicas de arroz foi oficializado em dezembro de 2022, durante o último mês do governo Bolsonaro. Essa medida, que remonta à última década, não apenas afetou o arroz, mas também outros alimentos essenciais, como feijão, trigo e café.

Estes estoques, historicamente mantidos desde os anos 1960, são considerados vitais para o controle de preços e para garantir o abastecimento em momentos de crise, porém foram drasticamente reduzidos ao longo dos anos.

Apesar das preocupações decorrentes das recentes cheias no Rio Grande do Sul, o governo assegura que não há previsão de escassez de arroz. Mais de 80% da safra atual já foi colhida, o que ajuda a minimizar os riscos imediatos de falta do produto.

A autorização para importação, concedida na última sexta-feira (10), foi justificada como uma medida preventiva para evitar possíveis aumentos nos preços, uma das funções dos estoques públicos.

Especialistas apontam que a falta de estoques públicos de alimentos representa uma falha do Estado, especialmente em situações de emergência como as atuais inundações.

Segundo Izete Bagolin, professora titular de Economia do Desenvolvimento e Serviço Social da PUC-RS, em entrevista ao Uol, “Os estoques públicos foram pensados exatamente para eventos como essa enchente, ou seja, situações que possam gerar um problema de oferta interna”.

Apesar de o governo ter anunciado a intenção de retomar a formação dos estoques desde junho do ano passado, até o momento, apenas o milho foi objeto de uma reposição significativa.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) explica que a ausência de reposição no caso do arroz se deve ao preço de mercado, que não alcançou o patamar mínimo estabelecido por lei.

Com informações do Diário do Centro do Mundo

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