A Polícia Civil trabalha com três hipóteses para o assassinato da ialorixá Bernadete Pacífico, a Mãe Bernardete. Além das hipóteses de briga por território e intolerância religiosa, a mais destacada, segundo declarações feitas hoje (21) pelo governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, é a de disputa de facções criminosas.
Mãe Bernardete foi assassinada na quinta-feira passada (17), com 22 tiros.
– Essa tem sido, na tese da Polícia Civil, a mais premente, a que ‘possa acontecer’. Se isso aconteceu, da mesma forma (que as outras teses), nós haveremos de nos debruçar sobre ela, em uma parceria com o governo federal, com a Polícia Federal – disse o governador durante evento na Praça Irmã Dulce, no Largo de Roma, em Salvador.
O governador não deixou claro o possível motivo do envolvimento de facções criminosas no caso, visto que Mãe Bernadete não tinha envolvimento com o tráfico de drogas. Segundo denúncias feitas pela própria líder quilombola, frequentemente ela recebia ameaças de grileiros e madeireiros, que queriam extrair matéria prima ilegalmente na região do Quilombo Pitanga de Palmares, Área de Proteção Ambiental (APA) em que ela morava.
Conforme divulgado pelo g1, a principal tese levantada pelos especialistas é a de disputa pelo território quilombola. Jerônimo disse que esta não é a principal hipótese da Polícia Civil, mas que procurou o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para regularizar o terreno quilombola. O governador também falou sobre a hipótese de intolerância religiosa e disse que este é um crime que transcende o caso da ialorixá.
– Ela era uma figura defensora dos povos de terreiro. E é uma hipótese, não podemos confirmar ainda que seja essa a causa, mas, mesmo que não seja essa a causa, a questão religiosa precisa ser enfrentada pela democracia – disse o governador.
De acordo com o Jornal Hoje, que teve acesso aos depoimentos, o neto de Mãe Bernadete, Wellington dos Santos, de 22 anos, contou que um dos assassinou aparentava ter 25 anos e 1,70 de altura. Já o segundo suspeito era mais jovem, com cerca de 20 anos, e mais forte.
Ainda segundo o neto da ialorixá, não existe conflito agrário envolvendo o quilombo e que também não se recorda de inimizades ou ameaças recebidas pela avó. No entanto, ele mencionou que Mãe Bernadete tinha muitos medos, especialmente após o assassinato do filho dela e pai de Wellington, o “Binho do Quilombo”.
Ele também relatou à polícia e Mãe Bernadete “pegava no pé” de um policial militar da reserva que mora perto do quilombo. Os dois teriam muitos desentendimentos.
Já a irmã caçula de Wellington, que também estava na casa no momento do crime, revelou em depoimento que os assassinos da avó fugiram levando cinco celulares: o da avó Bernadete, o seu, o de um primo que estava com ela, o do irmão Wellington e de outro primo Pedro que não estava no local.
O crime também é apurado pela Polícia Federal, que trata o caso de forma sigilosa e não deu detalhes sobre linhas de investigação, para não atrapalhar o caso. Quando foi assassinada, Bernadete estava sob proteção do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (PPDDH).
Com informações de O Globo,





