‘Golaço do Congresso’, diz Haddad sobre isenção do IR

Ministro da Fazenda prevê apoio do Senado e defende equilíbrio fiscal; medida deve beneficiar 15 milhões de trabalhadores

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), classificou como “um golaço do Congresso” a aprovação, por unanimidade, do projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para trabalhadores que ganham até R$ 5 mil mensais. A votação, realizada na noite de quarta-feira (1º), recebeu 493 votos favoráveis e nenhum contrário.

Nesta quinta-feira (2), Haddad disse acreditar que a proposta não enfrentará resistência no Senado, onde ainda precisa ser analisada antes de seguir para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Foi uma votação histórica, 493 votos, sem nenhum voto contra. Todo mundo que marcou presença ontem votou a favor do projeto. Acredito que foi um golaço do Congresso Nacional e nós não vamos ter problemas no Senado, a julgar pelo que o Senado já votou”, afirmou.

Benefício para 15 milhões de trabalhadores

De acordo com o ministro, a medida deve beneficiar cerca de 15 milhões de trabalhadores formais. Desses, 10 milhões deixarão de pagar imposto de renda, enquanto outros 5 milhões terão redução progressiva na tributação até o limite de R$ 7.350 mensais.

“Esse projeto não busca apenas justiça tributária, mas busca justiça tributária com equilíbrio fiscal. Ou seja, ele está ancorado no equilíbrio fiscal”, destacou Haddad, em conversa com jornalistas no Ministério da Fazenda.

O ministro ainda ressaltou que o apoio unânime, inclusive da oposição, reforça o espaço para diálogo entre governo e Congresso. “A unanimidade alcançada em torno do projeto que ampliou a isenção do IR, com votos favoráveis inclusive da oposição, nos deu esperança que temos muito a construir juntos”, afirmou.

Debate sobre a Medida Provisória que eleva impostos

Questionado sobre a Medida Provisória (MP) que eleva tributos em setores como LCIs, LCAs, fintechs, casas de apostas e empresas que remuneram acionistas por meio de juros sobre capital próprio, Haddad afirmou que a equipe econômica segue negociando com lideranças partidárias.

A MP foi editada em junho e precisa ser votada pelo Congresso até o início de outubro para não perder validade. Segundo o governo, o objetivo é corrigir distorções tributárias e garantir equilíbrio nas contas públicas em 2026, ano eleitoral. A expectativa inicial era arrecadar cerca de R$ 21 bilhões no próximo ano.

Haddad reconheceu a resistência de setores produtivos, mas defendeu a necessidade da medida. “Acredito que amadureceu o consenso em torno da necessidade de corrigir essas distorções. Temos que compor maioria. Estamos processando e amadurecendo argumentos para chegar em um denominador comum, buscando equilíbrio no projeto”, disse.

Próximos passos

Enquanto o projeto do IR avança com amplo apoio, a Medida Provisória enfrenta obstáculos e depende de negociação política para avançar no Congresso. Para Haddad, a combinação das duas frentes — a ampliação da isenção para a população de baixa e média renda e a revisão de benefícios tributários de setores específicos — será essencial para manter a política fiscal sustentável e preservar espaço para investimentos do governo.

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