Garotinho sinaliza apoio a Ruas no segundo turno e responsabiliza Paes por revés no TSE

Ex-governador diz que poderia apoiar candidato do PL mesmo “contrariado” e acusa adversário do PSD de estar por trás da ofensiva judicial que levou à mudança na situação de seus votos

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A menos de 24 horas da eleição para o Governo do Rio, Anthony Garotinho (Republicanos) sinalizou neste sábado (3) que poderá apoiar Douglas Ruas (PL) em um eventual segundo turno contra Eduardo Paes (PSD). O movimento representa uma aproximação inédita na reta final da campanha e foi apresentado pelo ex-governador como reação à atuação da coligação de Paes no processo que discute a validade dos votos destinados a ele.

Garotinho teve o registro de candidatura indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) e recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na sexta-feira (2), o ministro Floriano de Azevedo Marques determinou que os votos recebidos pelo candidato sejam registrados como “anulados sub judice”. O nome de Garotinho permanecerá normalmente na urna neste domingo, enquanto a decisão definitiva sobre o registro ainda depende do plenário da Corte.

Em live no Instagram, Garotinho condicionou o apoio a Ruas à validação de seus votos e deixou claro que a aproximação seria motivada principalmente pelo confronto com Paes.

“Se validarem meus votos, no segundo turno eu posso até apoiar, contrariado, porque não concordo muito, mas posso até apoiar Ruas, porque essa safadeza toda partiu do Eduardo Paes, lamento dizer isso, mas é verdade”, afirmou.

Garotinho atribui ofensiva a Paes

O ex-governador se referia à manifestação apresentada pela coligação de Paes ao TSE. A campanha do candidato do PSD pediu urgência na análise do processo para que a situação jurídica de Garotinho e de seus votos fosse esclarecida antes da eleição.

A coligação argumentou que a indefinição poderia criar insegurança sobre o resultado e até levar à realização de um segundo turno que posteriormente poderia ser considerado desnecessário, caso os votos de Garotinho fossem anulados e uma nova totalização desse a um candidato mais de 50% dos votos válidos. O ministro Floriano Marques determinou então que o TRE-RJ remetesse imediatamente o processo à Corte.

Garotinho adotou interpretação diferente e responsabilizou politicamente Paes pelo revés. Caso sua situação não seja revertida, afirmou que pretende orientar seus eleitores a continuar digitando seu número na urna.

“Se isso não acontecer, vou pedir ao povo todo para anular o voto, votar 10 para ver quantas pessoas estão revoltadas”, declarou.

Votos de Garotinho podem pesar na disputa

A posição do ex-governador ganha importância porque ele chega à eleição com uma parcela do eleitorado capaz de influenciar a matemática do primeiro turno e, eventualmente, uma disputa entre Paes e Ruas.

O Datafolha divulgado na quinta-feira (1º) mostrou Paes com 47% dos votos válidos, Ruas com 35% e Garotinho com 8%. O levantamento ouviu 1.204 eleitores entre 28 de setembro e 1º de outubro e tem margem de erro de três pontos percentuais.

Já o Paraná Pesquisas registrou Paes com 47,9%, Ruas com 34,4% e Garotinho com 9,4% dos válidos. Em uma simulação sem o ex-governador, Paes alcançou 52%, contra 38,1% de Ruas. Foram entrevistados 1.600 eleitores entre 29 de setembro e 1º de outubro, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais.

Os levantamentos não permitem concluir automaticamente para onde migrariam os eleitores de Garotinho em um eventual segundo turno. O próprio aceno do candidato a Ruas, porém, acrescenta uma nova variável política à disputa caso nenhum candidato obtenha maioria dos votos válidos neste domingo.

Filho já está no campo de Ruas

A sinalização também aproxima Garotinho do campo político em que seu filho, Wladimir Garotinho, já atua. Prefeito de Campos dos Goytacazes e filiado ao PL, Wladimir participou da campanha do partido no Norte Fluminense e esteve ao lado de Douglas Ruas e do presidenciável Flávio Bolsonaro em atividades eleitorais na região.

Até agora, Anthony Garotinho mantinha candidatura própria e fazia críticas aos dois principais adversários. A declaração deste sábado indica que, caso consiga validar seus votos e haja segundo turno, sua relação com Paes poderá pesar na definição de seu posicionamento político.

O destino dos votos do ex-governador, entretanto, continua submetido à Justiça Eleitoral. A decisão vigente determina que sejam registrados como anulados sub judice, e o resultado ainda poderá ser alterado conforme o julgamento definitivo do recurso pelo TSE.

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