Flávio Bolsonaro (PL) encerrou neste sábado (3) sua campanha de primeiro turno com um discurso de confronto com o Supremo Tribunal Federal (STF), um pedido de “voto de protesto” aos eleitores e a promessa de não disputar a reeleição caso chegue à Presidência da República. Ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição em São Paulo, o senador participou de uma motocarreata entre Santa Bárbara d’Oeste e Americana, no interior paulista.
A menos de 24 horas da abertura das urnas, Flávio procurou mobilizar sua base com críticas ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao Supremo. Sem apresentar elementos específicos para sustentar a acusação, afirmou que ministros da Corte atuariam politicamente em favor do presidente e defendeu um reequilíbrio entre os Poderes.
“Ministros do STF não podem ser agentes políticos do governo Lula. E nem de um movimento que é ideológico”, afirmou. Na sequência, pediu uma reação dos eleitores nas urnas: “É por isso que eu peço que o eleitor vá pra rua. E dê o seu voto de protesto”.
Promessa de apenas um mandato
Flávio também voltou a assumir o compromisso de não buscar um segundo mandato caso seja eleito presidente. O tema acompanha sua campanha desde fevereiro, quando apresentou no Senado uma proposta de emenda à Constituição para acabar com a possibilidade de reeleição para cargos do Executivo.
“Eu sou o único candidato que está abrindo mão de tentar uma reeleição. Porque eu quero, em um mandato só, me concentrar nos problemas da população brasileira e ajudar de verdade a resolvê-los da forma mais rápida possível”, declarou.
A promessa busca reforçar uma bandeira adotada pelo candidato, embora ele tenha dado declarações diferentes ao longo do ano sobre a duração de um eventual governo. Em maio, chegou a mencionar a possibilidade de um período de oito anos no poder.
Neste sábado, porém, Flávio voltou a apresentar a renúncia à reeleição como um compromisso político e associou a proposta à intenção de promover mudanças durante um único mandato.
Tarcísio participa do último ato
A motocarreata começou por volta das 10h40 em Santa Bárbara d’Oeste e percorreu aproximadamente 20 quilômetros até Americana. Além de Tarcísio, participaram os candidatos ao Senado Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL).
O governador paulista publicou imagens do ato nas redes sociais e chamou Flávio de “próximo presidente da República”. A presença de Tarcísio no encerramento da campanha presidencial tem peso na estratégia do PL para São Paulo, maior colégio eleitoral do país. O governador já declarou que pretende apoiar Flávio também fora do estado caso a eleição presidencial chegue ao segundo turno.
Inicialmente, a campanha planejava realizar uma motociata na capital paulista. O evento acabou transferido para o interior após aliados avaliarem dificuldades logísticas e de segurança no percurso previsto.
Disputa apertada em São Paulo
O ato ocorreu em meio a uma disputa acirrada entre Flávio e Lula no estado. Datafolha divulgado nesta sexta-feira (2) mostrou o candidato do PL com 39% das intenções de voto em São Paulo e o presidente com 38%. A diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Considerando apenas os votos válidos, Flávio aparece com 41% e Lula, com 40%. O levantamento ouviu 1.610 eleitores paulistas entre 28 e 30 de setembro, tem nível de confiança de 95% e está registrado no TSE sob o número BR-02676/2026. Pesquisa eleitoral é um retrato das intenções declaradas no período da coleta e não uma previsão do resultado das urnas.
Nacionalmente, o Datafolha mais recente registrou Lula com 42% das intenções de voto e Flávio com 38%. Nos votos válidos, os percentuais são de 45% e 40%, respectivamente.







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